Avanço de Flávio Bolsonaro sobre Lula nas pesquisas eleitorais têm, de acordo com analistas, ajudado a impulsionar os ativos brasileiros
Priorizar nos meus resultados Google O Ibovespa, índice que reúne as principais ações da bolsa de valores brasileira, engatou uma forte alta no pregão desta terça-feira, 8. Por volta das 13h, o índice subia 1,8%, passando dos 188.000 pontos, mesmo em um dia em que algumas das principais bolsas do mundo – nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia – operavam em queda.
O mesmo otimismo aparece em outros indicadores que se mexem em tempo real conforme o humor dos investidores: o dólar recuava 0,8%, negociado abaixo dos 5,10 reais, e os juros futuros também encolhiam, o que indica uma expectativa de que a taxa de juro efetiva, calibrada pela taxa Selic, possa eventualmente cair mais.
Há alguns fatores externos que ajudam a explicar o movimento, como a alta do petróleo, que impulsiona papéis grandalhões do Ibovespa, como a Petrobras, e até mesmo uma tendência de retorno do investidor estrangeiro depois de meses de fuga, já que a bolsa brasileira voltou a ficar barata depois de ter batido recordes nos primeiros meses do ano.
Mas há também uma razão bem prática por trás da euforia: a mais nova pesquisa eleitoral BTG/Nexus, divulgada na manhã desta terça-feira confirmando uma recuperação de Flavio Bolsonaro e mostrando o candidato do PL, pela primeira vez, numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
“A bolsa brasileira já vinha subindo com alguma melhora do Flávio nas pesquisas, imagina agora que ele apareceu à frente em uma delas”, diz Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing. “O cenário de alternância de poder para 2027 fica mais forte, e o mercado está claramente dizendo que não quer Lula de volta a partir do ano que vem, principalmente por conta da questão fiscal.”
E é justamente o desequilíbrio fiscal o principal problema, ao menos para quem mexe diretamente com o dinheiro do mercado financeiro, de uma vantagem de Lula no pleito – e o que, por complementaridade, beneficia os cenários em que um adversário se fortalece.
“Não é que o mercado não goste de Lula, ele é um cara experiente e que já fez muita coisa”, afirma Flavio Conde, chefe de ações da casa de análises Inside Levante. “O grande problema é que ele acelerou demais os gastos e a dívida pública, o que é preocupante, e não dá sinais de que vá mudar essa política. Então as ações reagem às pesquisas não é porque o mercado goste do Flávio, mas porque espera algum candidato que seja fiscalmente responsável e reduza as despesas.”
Entre os movimentos do petista que não ajudaram a melhor a boa vontade do mercado estão o nome escolhido por Lula para chefiar a economia de sua campanha – Sérgio Gabrielli, o ex-presidente da Petrobras de seus primeiros governos que tem vínculos com as alas mais tradicionais do PT – e o fato de o próprio Lula ter dito expressamente que “não se preocupa com a dívida pública” – afirmação feita durante a sua recente sabatina ao Jornal Nacional.
Por outro lado, a escolha de Flávio de Daniella Marques para cuidar da economia em sua campanha – a ex-assessora do ex-ministro Oaulo Guedes de discurso firme – conta a favor do candidato que ganhe ao menos o voto de confiança dos investidores.
Sob os quatro anos de Lula 3, os gastos públicos cresceram ainda mais rápido do que a arrecadação, as contas nunca saíram do vermelho e, como resultado, a dívida pública deu um salto. Ela saiu de 72% dos PIB quando Lula assumiu para 82% agora, o nível mais alto já registrado fora da calamidade pública da pandemia, em 2020 e 2021, e também um dos mais altos entre os países emergentes. Como consequência, a taxa de juros é forçada a continuar mais alta, para remunerar os investidores que compram os títulos do Tesouro, e a conta que o Brasil paga só com juros da dívida não para de crescer. Neste ano, ela passou do 1 trilhão de reais pela primeira vez na história.
Em atualização




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