A união das abordagens da saúde pública e do bem-estar animal são complementares para a manutenção da segurança sanitária da população e de uma vida mais saudável para os animais vulneráveis - Canva Pets em condição de vulnerabilidade, nas ruas, parques e praças, não são uma situação fácil de acompanhar. Quando deixados à própria sorte, esses animais não apenas perdem um teto, mas tornam-se alvo de maus-tratos, fome extrema e doenças que castigam o corpo e, consequentemente, o ambiente ao seu redor.
“Os animais são seres sencientes, ou seja, possuem a capacidade biológica de sentir de forma consciente; podem vivenciar emoções, sentir medo, frio, fome e saudade. E, se eles podem sentir tudo isso, é claro que o abandono vai impactar suas vidas e sua saúde. A Organização Mundial de Saúde fez uma estimativa de cerca de 30 milhões de animais em situação de rua no Brasil. Esse animal em situação de rua está vulnerável à doenças parasitárias e bacterianas, à violência física e, até mesmo, à violência sexual. Lugar de animal não é na rua; principalmente cães e gatos, que já atingiram um alto nível de domesticação, precisam de responsáveis humanos”, explicou Alisson Inácio Batista, médico-veterinário sanitarista membro da comissão de saúde pública do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Pernambuco (CRMV-PE).
O sofrimento destes seres vulneráveis transborda para a coletividade. “A população fica à mercê de um problema que foi criado por essa própria população. Animais em situação de rua não chegaram lá por acaso; eles são vítimas do descuido e abandono humano, e da falta de políticas públicas efetivas”, comentou o médico-veterinário.
Nas ruas, os pets enfrentam ainda um ciclo de reprodução descontrolada, onde uma única cadela e seus descendentes podem gerar centenas de animais ao longo dos anos. Esse contingente de animais sem assistência tornam-se hospedeiros de zoonoses graves como a raiva, a leishmaniose e a esporotricose, doenças que encontram em Pernambuco um terreno endêmico.
"O animal de rua transita no mesmo espaço que o ser humano transita. Ele faz suas necessidades onde o ser humano transita... ele tem um conjunto de doenças e ocorrências que podem afetar os seres humanos", explicou o diretor geral de Vigilância Ambiental da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE0, Eduardo Bezerra.
Em Pernambuco, o monitoramento de zoonoses é constante para enfermidades endêmicas como a leishmaniose e a esporotricose. A raiva, embora controlada por políticas de vacinação eficazes, permanece como um alerta máximo devido à sua letalidade; qualquer caso identificado mobiliza imediatamente os serviços de saúde.
Outras doenças como sarna, toxoplasmose e parasitoses também são disseminadas por animais sem assistência veterinária.
Segundo o diretor geral de Vigilância Ambiental da SES-PE, embora a quantidade de animais de rua não chegue a sobrecarregar leitos hospitalares da mesma forma que epidemias gripais, a importância epidemiológica é alta devido à gravidade de casos isolados, como a raiva humana.
A atuação do poder público é dividida: enquanto a Vigilância Ambiental foca no controle de zoonoses e riscos ao ser humano, as questões de castração e abrigo, apesar de afetarem diretamente a saúde através da redução dos pets nas ruas, entram no campo do bem-estar animal. Geralmente, essas ações são geridas por secretarias de meio ambiente ou órgãos específicos, e não diretamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O poder público atua de forma integrada, mas separando o que é vigilância de doenças (Saúde) do que é manejo e cuidado animal (Meio Ambiente/Bem-estar Animal).
A população, através de ONGs e protetores independentes, também atua de forma integrada para garantir, segundo o médico-veterinário sanitarista Alisson Inácio Batista, um manejo populacional ético desses animais.
“Esse manejo populacional ético envolve estratégias que vão além da castração em massa, incluindo a conscientização sobre a guarda responsável, diretrizes rigorosas para o funcionamento de abrigos, identificação animal por meio da microchipagem e um diálogo aberto e contínuo com protetores de animais, gestores municipais e a comunidade em geral”, explicou.
A união das abordagens da saúde pública e do bem-estar animal são complementares para a manutenção da segurança sanitária da população e de uma vida mais saudável para os animais vulneráveis.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário