Em decisão nesta sexta-feira (26), Anvisa proibiu o funcionamento da Voy, responsável por oferecer de maneira remota tratamentos e avaliações de saúde para obesidade

Compartilhar matériaA Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu, nesta sexta-feira (26), o funcionamento da plataforma de emagrecimento Voy, responsável por oferecer tratamentos e avaliações de saúde personalizados para obesidade.

A CNN Brasil ouviu especialistas para compreender os cuidados necessários que pacientes podem tomar antes de iniciar um tratamento com as chamadas "canetas emagrecedoras".

Para Neuton Dornelas Gomes, endocrinologista e presidente da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), o tratamento seguro se baseia em quatro pilares: diagnóstico correto, medicamento registrado pela Anvisa, prescrição médica e compra em farmácias regularizadas.

Segundo a endocrinologista Carla Adlung, o primeiro passo é confirmar se existe indicação médica para o uso desses medicamentos.

"Antes de iniciar o tratamento, é fundamental uma avaliação clínica completa, incluindo histórico de saúde, doenças associadas, medicamentos em uso e definição de objetivos terapêuticos individualizados", explicou.

Para a especialista, cada paciente tem características clínicas diferentes. "Um medicamento que foi adequado para uma pessoa pode não ser seguro para outra [...] O tratamento da obesidade é individualizado, baseado em evidências científicas e envolve mais do que apenas o uso da medicação", destacou.

Segundo Dornelas, ao mesmo passo que o tratamento exige um diagnóstico correto, é necessário que o paciente tenha uma "fonte segura" de prescrição dos medicamentos.

À CNN Brasil, Carla reforçou o mesmo que o endocrinologista e orientou que o paciente verifique se o profissional possui registro ativo no CRM (Conselho Regional de Medicina).

Ainda, em caso de apresentação como "especialista", Carla aponta a necessidade de que o médico também aponte que tenha o RQE (Registro de Qualificação de Especialista).

Nesse mesmo aspecto, os especialistas alertam para os riscos da automedicação, fator que reforça o desconhecimento de contraindicações e pode levar ao uso inadequado da dose [do medicamento], além de atrasar possíveis diagnósticos de doenças que exigem tratamento específico.

Para os especialistas, é importante exigir nota fiscal, conferir a integridade da embalagem do produto e verificar se o medicamento possui registro válido na Anvisa.

Para Adlung, produtos vendidos por canais informais, sem identificação adequada ou com origem desconhecida representam risco à saúde, pois podem não atender aos padrões de qualidade, conservação e segurança exigidos pelos órgãos reguladores.

"Ao tratar uma doença crônica como a obesidade, a segurança do medicamento é tão importante quanto sua eficácia. O acesso por vias regulares protege o paciente e garante que ele receba um produto confiável e dentro dos padrões sanitários", afirmou a médica.

Para Neuton, além da prescrição médica, é necessário que o paciente adquira medicamentos apenas em farmácias autorizadas.

O endocrinologista ainda pontuou a importância de compreender a procedência e o armazenamento adequado do produto, uma vez que adquirir medicamentos fora dos canais oficiais pode representar riscos à saúde.

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Dornelas ainda acrescenta que medicamentos comprados sem receita também levantam dúvidas sobre a origem e as condições de conservação, fator que deve ser levado em consideração antes da compra dos medicamentos.

Segundo Carla, o problema não está no acompanhamento online. "O mais importante é que o cuidado siga critérios técnicos, preserve a autonomia médica, cumpra as normas sanitárias e mantenha o paciente em acompanhamento durante todo o tratamento", concluiu a endocrinologista.

A medida, publicada no Diário Oficial da União, determinou a proibição, comercialização, distribuição, propaganda e uso dos serviços oferecidos pela plataforma.

Isso ocorre porque a empresa responsável, a Revia Gestão de Negócios Ltda., não possui autorização de funcionamento para esse tipo de atividade, segundo a própria agência.