Empreendimentos milionários assinados por arquitetos internacionais ampliam o diálogo com tendências globais ao trazer diferentes referências para o mercado...
Em busca de ineditismo em seus projetos, incorporadoras que atuam no segmento de altíssimo padrão do país têm adotado a estratégia de contratar escritórios internacionais de arquitetura para assinar seus empreendimentos. O resultado são produtos icônicos com os mais altos tíquetes do mercado nacional, que marcam não apenas a história da empresa, mas a paisagem das cidades.
Em São Paulo, a Benx Incorporadora promoveu um concurso fechado entre escritórios brasileiros e estrangeiros para escolher qual iria assinar o 280 Art Boulevard, entre os bairros de Jardins e Itaim. A vencedora foi a americana Gensler, presente em 58 países, com mais de seis mil profissionais e US$ 1,87 bilhão movimentado em projetos apenas em 2025.
“A meta era fazer um prédio icônico, que apresentasse algo de fato inovador para o mercado imobiliário brasileiro, com uma proposta que agregasse valor não apenas estético. Esses escritórios mundiais, com projetos desenvolvidos em diversos países, trazem novas referências, ampliando o repertório de possibilidades”, explica Luciano Amaral, CEO da Benx Incorporadora.
Depois da escolha, os líderes da equipe da Gensler vieram à capital paulista para conhecer o terreno e a vizinhança. “Fizemos questão que viessem a São Paulo para entender a dinâmica da cidade e o entorno do futuro prédio”, conta Amaral. Uma das visitas inspirou um “cânion” na fachada, conectado aos jardins do centro cultural Solar Fábio Prado, vizinho ao empreendimento.
O projeto levou seis meses para ser desenvolvido e contou com a participação da incorporadora e o apoio do escritório paulistano Zien Arquitetura na adaptação das soluções ao mercado brasileiro. A estratégia já se reflete nas vendas: 15 das 22 mansões suspensas foram comercializadas a R$ 80 mil, em média, por metro quadrado. “Quando entregarmos o empreendimento, em maio do ano que vem, esperamos bater a marca dos R$ 100 mil o metro quadrado”, diz Amaral.
No Rio de Janeiro, a Tegra Incorporadora escolheu o Studio Lissoni & Partners para desenvolver um projeto à altura de um dos últimos terrenos de frente para o mar na Barra da Tijuca. “Entendemos que um endereço com essas características pedia um projeto igualmente excepcional, capaz de dialogar com referências internacionais sem perder a conexão com a cidade”, afirma Felipe Shalders, diretor de Negócios da Tegra no Rio.
Lançado em fevereiro, o Riio by Piero Lissoni tem entrega prevista para agosto de 2029. São nove torres, com apartamentos e “penthouses” de 262 a 1,04 mil metros quadrados, e VGV estimado em R$ 1,8 bilhão. Arquiteto, diretor de arte e designer italiano, Lissoni tem mais de 30 anos de carreira e prêmios como Compasso d’Oro, Good Design Award e Red Dot Award.
Mais do que emprestar seu nome ao projeto, o profissional participou das definições de arquitetura, interiores, paisagismo, design e comunicação, acompanhando o projeto desde a concepção até a entrega. “O mais importante não é apenas a assinatura, mas a parceria construída de forma integrada”, diz Shalders.
Para o executivo, a unidade entre arquitetura, interiores e paisagismo faz a diferença na experiência dos moradores. “Quando tudo parte de uma mesma visão, a experiência fica muito mais coerente para o morador, seja na relação entre os espaços internos e externos, na valorização da iluminação natural, nas proporções, na escolha de materiais ou na forma como a arquitetura se relaciona com a paisagem e com o mar”, resume.
No Sul, dois projetos da CFL Inc. levam a assinatura da americana Arquitectonica. Em Porto Alegre, o escritório desenha a torre corporativa Country Tower e o residencial Alameda Jardins. A torre com linhas arredondadas terá 15 andares, 144 conjuntos comerciais, três restaurantes e “rooftop”; e o residencial, dois edifícios e 52 apartamentos a partir de 334 metros quadrados. Ambos terão vista livre para o campo de golfe do Porto Alegre Country Club.
“Nós já acompanhávamos o trabalho deles em Miami e Dubai e conseguimos sensibilizar o Bernardo Fort-Brescia, cofundador da Arquitectonica, para assinar os dois projetos, cujo impacto será transformador para a capital gaúcha”, comenta Luciano Bocorny Corrêa, CEO da CFL Inc.
Cerca de 70% das lajes corporativas já foram vendidas. No Alameda Jardins, o metro quadrado está sendo negociado a R$ 30 mil, 20% acima do valor médio do segmento de alto padrão na região.
Em Itajaí (SC), o Tempo by Müze, na Praia Brava Norte, será o primeiro no país do britânico Foster + Partners, vencedor do Pritzker (1999) e autor da Ponte do Milênio, em Londres. O complexo terá um hotel Emiliano e sete torres com 83 apartamentos de 400 a 950 metros quadrados. O metro quadrado parte de R$ 74 mil e chega a R$ 90 mil nas unidades próximas da praia. O VGV é de R$ 2,8 bilhões, com entrega prevista para 2031.
“Queríamos um nome capaz de furar a bolha do mercado local, atraindo olhares do público para um lugar até então pouco visto, criando um novo destino imobiliário para o Brasil e o mundo”, explica Arthur Fischer Neto, sócio-diretor da Müze Incorporadora.
A integração com a paisagem é um ponto central no projeto. “Procuramos enaltecer a vista para o mar e a Mata Atlântica exuberante do terreno, projetando todos os apartamentos com varandas espaçosas, idealizadas como camarotes de uma grande sala de concerto ao ar livre”, afirma Juan Frigério, sócio do Foster + Partners.
Ele também destaca a influência brasileira na arquitetura mundial. “O modernismo brasileiro é admirado no mundo inteiro, bem como muitos profissionais contemporâneos do país, com quem aprendemos muito. Desejamos que este projeto faça parte de um grande acervo da arquitetura de qualidade que vem sendo produzida no Brasil”, afirma.




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