O Recife foi escolhido para sediar um dos mais ambiciosos projetos de economia circular do país. A Fundação Ellen MacArthur, referência mundial no tema, anunciou uma parceria com a Prefeitura do Recife, o Ministério do Meio Ambiente, a Clean Rivers e grandes empresas, como Nestlé, PepsiCo, Mars e Unilever, para desenvolver um novo modelo de coleta seletiva e reciclagem que poderá servir de referência para outras cidades brasileiras. A expectativa é mobilizar cerca de R$ 300 milhões em investimentos a partir de 2027.

A iniciativa é baseada no relatório "Fechando o Ciclo", que aponta o potencial de transformar a gestão de resíduos no Brasil. O estudo estima que um sistema mais eficiente pode recuperar R$ 14 bilhões em materiais recicláveis que hoje acabam em aterros, além de gerar milhares de empregos, reduzir a poluição dos rios e ampliar a inclusão social dos cerca de 800 mil catadores que sustentam grande parte da reciclagem no país, mas ainda enfrentam condições precárias de trabalho. A escolha do Recife leva em conta tanto seus desafios quanto seus avanços. A cidade registrou crescimento de 16,6% na reciclagem de plásticos em 2024, índice superior à média nacional, mas apenas 1% dos domicílios possui acesso à coleta seletiva formal. "O Brasil tem os ingredientes para transformar a forma como gerencia a coleta e a reciclagem. Estamos animados para trabalhar com o Recife e começar um novo modelo de colaboração entre cidades e empresas", afirma Luisa Santiago, diretora para a América Latina da Fundação Ellen MacArthur. Para o prefeito Victor Marques, a parceria reforça uma agenda que une sustentabilidade, inclusão e desenvolvimento social. "O Recife se destacou nos últimos anos no fortalecimento de políticas voltadas à gestão de resíduos sólidos. Esse projeto em conjunto com a Fundação Ellen MacArthur vai nos ajudar a avançar ainda mais nesse caminho, não apenas na busca por uma cidade mais limpa e sustentável, mas ainda além, na dimensão humana e do desenvolvimento social", destaca. Além dos impactos ambientais, a proposta busca influenciar políticas públicas em todo o país. Em um cenário em que o Brasil figura entre os maiores geradores de resíduos sólidos do mundo e despeja milhões de toneladas de plástico em rios e oceanos todos os anos, a expectativa é que a experiência pernambucana ajude a acelerar a transição para uma economia circular, combinando inovação, responsabilidade ambiental e geração de oportunidades.