Toy Story 5 põe um tablet no lugar dos brinquedos. Veja o que a trama sugere sobre telas na infância, e quais as melhores recomendações
Toy Story 5 chegou aos cinemas brasileiros em 18 de junho de 2026 e trouxe para a tela grande um dilema que vejo todos os dias no consultório: o brinquedo perdendo espaço para o dispositivo eletrônico.
Atuo há mais de duas décadas como terapeuta integrativa, dedicando boa parte do meu tempo ao acompanhamento de crianças e adolescentes, e o que vejo nos atendimentos é exatamente o que a Pixar levou para o roteiro.
Quero trazer aqui dados que comprovam o contexto perigoso em que vivemos, o que a Medicina recomenda e uma reflexão sobre o que a brincadeira perde quando a tela entra no lugar dela.
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Toy Story 5 faz parte de uma franquia que retrata a vida dos brinquedos quando os humanos não estão vendo. Desde a estreia do primeiro filme até hoje, já se passaram 30 anos.
O longa que mais me marcou como mãe foi o terceiro, que aborda a saída do filho de casa e a passagem dos brinquedos para uma nova dona. Tenho filhos e, vendo-os crescer, sei que um dia viverei essa despedida.
Neste quinto capítulo, o eixo é outro. Bonnie ganha um tablet chamado Lilypad, e os brinquedos precisam disputar a atenção da menina com a tela.
É uma ficção que conversa de perto com o que as famílias brasileiras estão vivendo agora.
Em Toy Story 5, Bonnie continua sendo uma menina que brinca e recorre à imaginação. O que chama atenção é que ela não tem amigos, e isso não se explica pela timidez.
No contexto do filme, as outras crianças deixaram os brinquedos de lado e estão todas nos jogos eletrônicos, sem interação entre si. Os pais dela, querendo ajudar, compram o Lilypad com a ilusão de que o aparelho traria mais amigos para a filha.
Os brinquedos se unem e ajudam a virar a chave. Deixo que você assista ao filme para ver como a aventura se desenrola, porque o desfecho vale a experiência no cinema.
O brincar sustenta o desenvolvimento psíquico e emocional da criança. É na brincadeira que ela experimenta a vida e, por meio da imaginação, vivencia diversos cenários, como um ensaio para a vida adulta.
Nesse processo, a criança elabora medos, testa papéis e aprende a lidar com frustração em um ambiente seguro. A literatura da Psicologia analítica já explorou esse território em contos clássicos, como mostra a leitura simbólica de Peter Pan e o medo de crescer.
Os brinquedos fazem parte dessa dinâmica de formas diferentes. Muitas vezes funcionam como objeto transicional nas mudanças de fase, dando à criança um apoio concreto para atravessar o novo.
Outras vezes, atuam como objeto de apego, trazendo conforto e até companhia. É exatamente esse lugar que Woody, Buzz e Jessie ocupam na vida de Bonnie, e é esse lugar que a tela ameaça ocupar.
Cada época tem sua realidade. Antes, era comum as famílias terem mais crianças, e o brincar acontecia na rua e na casa dos vizinhos, com mais convivência.
Talvez não houvesse tantos brinquedos, mas a imaginação reinava, criando brincadeiras ou improvisando objetos.
Eu mesma adorava, na casa dos meus avós paternos, brincar com pedaços de madeira e montar casinhas, ou criar cenários com caixas de remédio. Para mim, era pura diversão.
Hoje o cenário é outro. Além de as famílias serem menores, muitas crianças ganham muitos brinquedos, e um artefato em especial tem afastado os pequenos das brincadeiras e desconectado uns dos outros: os jogos online e o uso excessivo de telas.
Na vida real, o excesso de telas e de jogos eletrônicos vai além da convivência. Pode prejudicar a saúde física, emocional e mental de crianças e adolescentes.




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