Alunos da UFRN criaram o TimBot, robô inspirado no timbu que usa sensores a laser para percorrer labirintos e tem projeto aberto ao público.
Três sensores a laser apontam para direções diferentes. Quando o TimBot se aproxima de uma parede, mede a distância, ajusta a rota e continua; diante de um beco sem saída, precisa recuar. O pequeno robô inspirado num timbu foi desenvolvido por universitários do Rio Grande do Norte e teve o projeto divulgado em outubro de 2026. Os criadores decidiram publicar gratuitamente o código e o modelo tridimensional do chassi. A escolha amplia a história para além do labirinto: o que outros estudantes conseguem aprender quando podem examinar uma máquina por dentro, reproduzi-la e tentar fazê-la funcionar melhor?
Thiago Freire Cavalcante, Renê Garmatter Neto de Araujo e Mariana Jamile dos Santos Ferreira participam da iniciativa ProtoPET, ligada ao Programa de Educação Tutorial de Ciência da Computação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O timbu é o mascote do programa e inspirou a aparência e o nome TimBot. A referência ao animal aproxima a criação da identidade do grupo, enquanto o desafio técnico é ensinar o equipamento a percorrer um espaço desconhecido.
Labirintos são úteis para testar decisões sem exigir um ambiente industrial. A cada trecho, o robô precisa relacionar a leitura dos sensores ao próprio deslocamento. Um giro excessivo pode fazê-lo perder o alinhamento; uma leitura imprecisa pode levar a uma colisão. Para os estudantes, o circuito transforma conceitos de programação e eletrônica em consequências visíveis no chão.
O TimBot usa um microcontrolador ESP32-S3 e três sensores a laser instalados na frente, em ângulos diferentes. Eles medem distâncias até obstáculos. Em conjunto, as leituras permitem comparar o espaço adiante e nas laterais, escolher uma passagem e detectar quando uma rota se fecha. Os sensores não fornecem ao robô um mapa completo de antemão; oferecem informações locais para orientar cada decisão.
O programa interpreta esses sinais e comanda as rodas para avançar, fazer curvas ou recuar. Nesse processo, pequenas diferenças na posição de uma peça ou na velocidade do motor importam. A prática de programação e robótica fica mais clara quando uma instrução escrita produz uma manobra observável e, quando falha, pode ser corrigida com nova medição.
Segundo a divulgação da universidade, a equipe enfrentou problemas de calibração, alimentação elétrica e movimentação. Calibrar significa conferir como as medidas correspondem ao espaço real. Se o sensor interpreta mal uma parede próxima, a lógica do trajeto pode estar correta e ainda assim a manobra sair errada. A energia também precisa chegar de modo estável ao controlador e aos componentes enquanto os motores trabalham.
O chassi impresso em três dimensões reúne as peças, mas seu desenho influencia a posição dos sensores e o equilíbrio durante as curvas. Os estudantes tiveram de ajustar elementos físicos e código em conjunto. Não há uma única linha de programação que corrija um sensor mal instalado; da mesma forma, uma boa estrutura não compensa uma regra de navegação incapaz de reconhecer um beco sem saída.
Ao encontrar um bloqueio à frente, o equipamento compara as alternativas detectadas nas laterais. Se nenhuma permitir seguir, o programa aciona o recuo e tenta outra orientação. A reação é autônoma no sentido preciso de que não depende de um comando humano para cada curva. Isso não transforma o TimBot numa máquina que compreende o labirinto como um observador humano; ele executa regras elaboradas e testadas pela equipe.
Observar vários percursos ajuda a identificar onde as regras funcionam e onde se repetem movimentos inúteis. Um labirinto simples pode ser vencido rapidamente, enquanto outro expõe erros de navegação. Ao divulgar o projeto, a universidade destacou também o propósito educativo do ProtoPET: tornar sistemas embarcados, que combinam componentes físicos e programação, acessíveis a quem está começando.
Os universitários disponibilizaram gratuitamente o código-fonte e o modelo 3D do chassi no GitHub. Assim, outras pessoas podem estudar a lógica, imprimir uma estrutura semelhante e testar alterações. O compartilhamento não elimina a necessidade de conferir componentes, montagem e licenças aplicáveis; oferece um ponto de partida verificável. A circulação de projetos abertos favorece revisão e colaboração quando as condições de uso são claras.
Uma turma pode experimentar outra disposição de sensores, medir resultados em percursos diferentes ou descobrir que certo ajuste só funcionava no circuito original. O valor de publicar inclui essa possibilidade de crítica. A história de um robô que sai de um beco sem saída ganha continuidade quando alguém, em outra bancada, encontra um problema novo e compartilha a solução.
O TimBot já demonstra navegação autônoma em labirintos e pode servir para ensino e demonstração. A fonte não o apresenta como produto comercial nem como dispositivo pronto para atuar sozinho em ruas ou casas. Seu alcance atual está no aprendizado: medir, decidir, errar, ajustar e repetir. O timbu que inspirou o nome dá personalidade ao projeto, mas são sensores, energia e código que determinam cada curva.
Ao tornar arquivos acessíveis, Thiago, Renê e Mariana encerraram uma etapa sem fechar a experiência. Quem tentar reproduzir o robô poderá perceber o mesmo detalhe que a equipe enfrentou: o percurso que parece simples num desenho exige muitas decisões pequenas no chão. É nesse encontro entre falha concreta e correção compartilhada que o projeto continua a ensinar.




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