Dr. Roberto Rossi Neto com formação na Alemanha alerta para a importância do acompanhamento desde a adolescência

A saúde masculina ainda enfrenta um desafio histórico no Brasil. A resistência dos homens em procurar atendimento médico preventivo.

Embora o tema tenha ganhado mais espaço nos últimos anos, muitos pacientes continuam chegando aos consultórios apenas quando já apresentam sintomas ou doenças instaladas.

Para o urologista Dr. Roberto Rossi Neto, essa realidade precisa mudar por meio da informação, da educação em saúde e da criação de uma relação contínua entre o homem e seu médico de referência.

A escolha pela Medicina surgiu ainda na infância, fortemente influenciada pelo ambiente familiar.

Filho de urologista, Dr. Roberto Rossi Neto teve contato com a profissão desde cedo e hoje compartilha uma experiência rara: atuar ao lado do pai na mesma especialidade.

“Sem sombra de dúvida, o que me levou a escolher essa área da saúde foi a influência do meu pai. Hoje ele tem 78 anos e eu tenho a honra e a alegria de trabalhar ao lado dele na mesma especialidade. Isso é algo que nem todo mundo consegue viver”, afirma.

Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia, iniciou sua trajetória na cirurgia geral antes de seguir para a Alemanha, onde construiu uma carreira acadêmica e assistencial de destaque.

Em Essen, no noroeste alemão, realizou residência e especialização em Urologia, obteve a equivalência médica alemã, concluiu o doutorado e desenvolveu uma técnica inovadora para correção da doença de Peyronie, condição caracterizada pelo desvio peniano.

Além disso, recebeu o título de especialista em Urologia pela Alemanha e chegou a ocupar a chefia de três cadeiras universitárias antes de retornar ao Brasil em 2013.

Hoje, seu principal foco de atuação é a saúde masculina.

Segundo o especialista, ainda existe uma lacuna importante na prevenção entre os homens, especialmente quando comparada ao cuidado tradicionalmente realizado pelas mulheres.

“O homem sai do pediatra e muitas vezes fica completamente à deriva até apresentar algum problema de saúde. Diferentemente da mulher, que normalmente mantém acompanhamento contínuo com o ginecologista, o homem costuma procurar ajuda apenas quando algo já está acontecendo.”

Por isso, ele defende que a primeira consulta com o urologista aconteça ainda na adolescência.

“A mensagem que eu tento passar é que o primeiro momento para visitar o urologista é quando o adolescente deixa o pediatra. É nessa fase que podemos orientar sobre desenvolvimento, sexualidade, infecções sexualmente transmissíveis e estabelecer uma relação de confiança que pode acompanhar esse paciente pelo resto da vida.”

Entre as principais dúvidas observadas atualmente no consultório estão questões relacionadas à sexualidade masculina.

O especialista relata um crescimento significativo dos casos de disfunção erétil em homens mais jovens e dos quadros de ejaculação precoce.

“O estresse e a pressão da vida moderna têm transformado a saúde emocional dos homens. A disfunção erétil aparece cada vez mais cedo e a ejaculação precoce tornou-se um problema extremamente frequente. Muitas vezes existe uma forte relação com ansiedade, autoestima e fatores psicológicos.”

As mulheres também representam uma parcela importante dos atendimentos.

Segundo ele, infecções urinárias recorrentes e cistite intersticial estão entre as principais queixas femininas.

“Muitas pacientes passam por vários profissionais sem que aspectos fundamentais sejam investigados, como flora intestinal, flora vaginal e questões hormonais. O urologista tem capacidade de ajudar e, muitas vezes, resolver esses quadros.”