Vírus provoca vermelhidão na pele e outros sintomas; entenda Luís Felipe Toledo Surtos recorrentes de ranavírus provocaram episódios de mortalidade em massa de anfíbios em uma lagoa da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Santuário Rã-Bugio, em Gu…
Vírus provoca vermelhidão na pele e outros sintomas; entenda — Foto: Luís Felipe Toledo
Surtos recorrentes de ranavírus provocaram episódios de mortalidade em massa de anfíbios em uma lagoa da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Santuário Rã-Bugio, em Guaramirim, Santa Catarina. Pesquisadores descobriram que a maioria das mortes registradas no local estava associada à presença do vírus nos animais.
📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram
Os surtos também coincidiram com uma queda de 83% na deposição de ovos da perereca-macaco (Phyllomedusa distincta), indicando uma redução na reprodução da espécie durante esses períodos. O vírus ainda foi associado aos episódios de mortalidade em massa de girinos presentes na lagoa.
Em estudo publicado na revista Biodiversity and Conservation, os cientistas analisaram duas espécies presentes na área protegida, que possui 4,75 hectares de Mata Atlântica. O primeiro episódio de mortalidade em massa foi registrado em janeiro de 2024.
Até então, os pesquisadores não haviam observado mortes semelhantes na lagoa monitorada. Novos episódios ocorreram entre novembro de 2024 e janeiro de 2025 e, novamente, entre o fim de novembro de 2025 e março de 2026.
Durante o monitoramento, foram coletados 324 girinos mortos. Desse total, 315 eram da espécie Phyllomedusa distincta e nove, da perereca Boana bischoffi.
O ranavírus foi detectado em 287 indivíduos, o equivalente a 88,6% das amostras analisadas.
Vírus causa mortalidade em massa e queda de 83% na reprodução de perereca em SC — Foto: Luís Felipe Toledo
Os animais infectados apresentaram sinais compatíveis com ranavirose, como hemorragias na pele, vermelhidão, inchaço e alterações na região abdominal. Exames também identificaram danos e morte de células no fígado dos girinos infectados.
Segundo Luís Felipe Toledo, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos autores do estudo, o vírus provoca uma infecção sistêmica e atinge diferentes órgãos.
“Ele afeta fígado, cérebro, rim e infecta vários órgãos, causando hemorragias generalizadas, tanto na superfície da pele como também nos órgãos internos”, explica.
Os girinos são os indivíduos mais vulneráveis ao microrganismo. Como mostra a pesquisa, a mortalidade se concentrou principalmente nos estágios iniciais de desenvolvimento dos anfíbios, o que gera maior risco à espécie.
Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1:
biodiversidade de Tapiraí (SP)
Outro fator abordado na pesquisa foi o clima. O artigo relaciona a baixa umidade relativa do ar ao aumento da probabilidade de morte dos animais.
Entre as condições observadas no local, a probabilidade estimada de mortalidade era muito maior quando a umidade média estava próxima de 65% do que quando chegava a 90%.
Isso não significa, porém, que a seca seja a causa direta da doença.
Uma das hipóteses é que condições mais secas aumentem o estresse dos anfíbios e reduzam a disponibilidade de água, fazendo com que mais animais se concentrem nos mesmos ambientes.
“Na época seca, os anfíbios se aglomeram mais em áreas que estão úmidas, seja no chão da floresta, seja em torno de lagoas permanentes … essa aglomeração facilita a transmissão de patógenos”, conta Luís Felipe Toledo.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário