Proibição de contato com o pai acaba empoderando senador para tomar decisões à revelia da madrasta

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15.jul.2026 às 23h14

O veto de contato entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), será usado para ampliar a autoridade do presidenciável do PL e isolar politicamente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), segundo articuladores da pré-campanha.

Na leitura desse grupo de políticos, a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de proibir visitas de Flávio a Bolsonaro por 90 dias, ou seja, até depois do primeiro turno da eleição, não é de todo ruim.

Isso porque o revés veio logo após a carta em que o ex-presidente afirma que Flávio é seu "porta-voz", em quem confia. Se Bolsonaro agora estará incomunicável, dizem aliados do senador, o que vale é a sua última palavra —a mensagem em que dá autoridade ao filho.

Como mostrou a Folha, a equipe de Flávio busca, ainda assim, reverter a decisão de Moraes e aposta em um pedido da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para isso.

O veto às visitas de Flávio ocorreu justamente em função dessa carta —divulgada pelo presidenciável em transmissão nas redes sociais no sábado (11), o que Moraes entendeu ser uma violação das medidas cautelares impostas a Bolsonaro.

No primeiro levantamento da Genial/Quaest após Michelle ter publicado um vídeo em que afirmou que Flávio a maltratou, o presidente Lula (PT) apareceu com vantagem sobre Flávio de oito pontos em simulação de segundo turno —45% a 37%.

A pesquisa mostra que a rejeição a Flávio, a maior entre os pré-candidatos, em viés de alta, é de 57%.

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Ainda na visão de nomes próximos a Flávio, a carta, seguida da proibição das visitas, dá ao senador a liberdade de tomar sozinho as decisões políticas da sua campanha eleitoral, que antes necessitavam de aval do ex-presidente.

De acordo com o monitoramento da prisão domiciliar de Bolsonaro feita pela Polícia Militar, Flávio esteve com o pai ao menos 26 vezes entre 27 de março e 17 de junho. O senador estava autorizado a visitar o pai em dias específicos, seja na condição de filho ou na condição de advogado do ex-presidente.

A consequência de ampliar o isolamento de Bolsonaro em casa, segundo aliados de Flávio, é intensificar também a distância de Michelle na disputa eleitoral, o que seria benéfico dada a recente exposição da disputa de poder entre enteado e madrasta.

Apesar de Michelle ter acesso a Bolsonaro e Flávio não, ela não estaria autorizada a falar pelo ex-presidente, ao contrário do senador. Sem a intermediação do ex-presidente, articulações políticas da ex-primeira-dama para favorecer alianças e candidatos que defende tendem a ser ignoradas por Flávio.

Interlocutores de Flávio argumentam que, em relação à campanha, as principais decisões sobre palanques estaduais, alianças nacionais e programa de governo já foram tomadas, o que ameniza a ausência de Bolsonaro nas articulações.