O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, acusou hoje o Governo de transição da Guiné-Bissau de tentar apagar a oposição, após as forças de segurança...

"A lógica do golpe é que o PAIGC [Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde] é o principal alvo e há uma tentativa desenfreada de colocar o PAIGC em rota de colisão com as instituições da República [da Guiné-Bissau] e, nomeadamente, com as Forças Armadas", declarou Domingos Simões Pereira, sublinhando que os guineenses sabem que o partido contribuiu para "o processo da luta de libertação e da proclamação da independência".

O dirigente recordou que foi o PAIGC quem "teve a capacidade de promover o processo de democratização do país, da desmilitarização das forças políticas e [que criou] condições para que todos os guineenses possam viver em liberdade e exprimir livremente o seu pensamento".

Para o líder partidário, a ocupação da sede do seu partido pelas forças de segurança do Governo de transição insere-se num plano mais vasto, que consiste em apagar a oposição do país.

"Hoje há uma tentativa de matar isso tudo, começando pelas datas históricas, pela tentativa de pôr em causa a própria existência do partido", acusou o líder da oposição guineense.

Apesar do clima tenso e da incerteza política na Guiné-Bissau, Simões Pereira demonstrou convicção na recuperação da normalidade democrática por via da herança histórica.

Na semana passada, as forças da ordem invadiram a sede do PAIGC em Bissau, capital da Guiné-Bissau, ocupando o edifício, segundo os meios de comunicação locais.

A operação aconteceu no dia em que terminou o prazo dado pelo Alto Comando Militar, que protagonizou o golpe de Estado em novembro passado, para que as instalações de partidos políticos se afastem até 500 metros das sedes de órgãos de soberania, hospitais, embaixadas, quartéis militares e esquadras da polícia.

As sedes nacionais do PAIGC e do Movimento para a Alternância Democrática (Madem G15) situam-se a escassos metros do palácio da presidência, na capital guineense.

O portal Bissau Online relatava na sua página numa rede social que as forças de ordem arrombaram as portas de vários gabinetes do PAIGC "para forçar o despejo" do imóvel.

O partido não foi notificado formalmente da decisão dos militares de desocupação da sede e denunciou que a ação levada a cabo "é a materialização de intenções manifestadas anteriormente pelo ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló".

Os militares guineenses protagonizaram um golpe de Estado em 26 de novembro de 2025, um dia antes da publicação dos resultados de eleições legislativas e presidenciais, e afastaram do poder o então Presidente, Umaro Sissoco Embaló.

Criaram um Conselho Nacional de Transição (CNT), que assumiu as competências do parlamento, e nomearam Ilídio Vieira Té primeiro-ministro e ministro das Finanças.

A oposição considerou que se tratou de um golpe de Estado encenado para permitir que Sissoco Embaló, que vive regularmente em Marrocos desde o golpe, regresse ao poder através de novas eleições presidenciais e legislativas marcadas pelos militares para 06 de dezembro.

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