Os condutores, uns mais do que outros, esperam largos minutos dentro dos carros com o motor em funcionamento. E a maioria pensará que isto não influencia os c...

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"Operação Stop" na Rádio Observador. Todas as semanas as principais novidades do mundo automóvel, como sempre, com Alfredo Lavrador. Alfredo, sê muito bem-vindo. Como é que estás? Como é que foi essa semana?

Obrigado, José Rafael. Se calhar estaríamos todos melhores nos Estados Unidos, ou não.

Depende. Nos Estados Unidos está muito calor. A verdade é que por cá, com o calor a apertar, aumenta também o número de condutores à espera dentro dos carros, com o motor a trabalhar, para o ar-condicionado os proteger das elevadas temperaturas que se fazem sentir. Alfredo, a maioria está convencida de que este comportamento não aumenta excessivamente o consumo dos carros. É mesmo assim? É a pergunta que te faço.

Vamos a ver. Sempre que alguém espera dentro do carro, com o motor a trabalhar durante 15 ou 30 minutos, enquanto vai buscar os miúdos à escola, ou quando um dos seus passageiros vai ao multibanco levantar dinheiro, ou às compras ao supermercado, se o motor fica a trabalhar, é certo e sabido que queima combustível. E se queima combustível, quem vai ao volante acaba por pagar. Só para abrir a conversa, pode contar com cerca de 0,5 L por hora num motor pequeno, com cerca de 1100 cm³, mas esse valor pode ascender a 1,5 L por hora, se o motor for grande e com maior número de cilindros, não os habituais três ou quatro. Este comportamento, se incidir apenas sobre a carteira de um condutor, pode ser aceitável, mas passa a ser quase criminoso, como muitas vezes vemos no nosso dia a dia, se tiver lugar em parques subterrâneos, pois nem todos possuem a necessária ventilação. E quando estão vários carros a trabalhar ao mesmo tempo, estacionados na mesma área, não há forma de evitar o envenenamento das pessoas com quem partilhamos o espaço. E atenção, caso o ar-condicionado seja ligado, os consumos desses veículos parados, a trabalhar, vão aumentar.

Falaste aí em ar-condicionado, Alfredo. É muito conhecido o peso da utilização deste sistema no consumo dos carros parados com o motor. Parece que é um dado adquirido que existe esse peso no consumo dos carros?

É, José Rafael, porque se o motor for deixado a trabalhar sozinho, por qualquer motivo, estás a ouvir rádio, por exemplo, olha a Rádio Observador, é um bom alto para se ouvir. O motor, para se manter em funcionamento, queima uma determinada quantidade de combustível. Porém, se tu exigires mais energia, se tu sacares energia da bateria, o alternador tem que arrancar de uma forma mais generosa para preencher a energia que tu estás a retirar. E quando estamos a falar de energia, tanto é aquela que serve para as luzes, por exemplo, para os faróis, como se tiveres um bom sistema de som, a multitude de colunas e sobretudo o subwoofer, são uns bichos que consomem muita energia, mas decididamente o ar-condicionado é o mais exigente de todos os sistemas. E se tu tiveres ar-condicionado, conta com um valor que pode inclusivamente duplicar o consumo. Tudo depende das temperaturas que tu escolheste e da ventilação e do esforço que estás a pedir ao sistema, que funciona exatamente igual àquele que tens no escritório. Um compressor, um refrigerador e por aí fora, até conseguires reduzir a temperatura.

E há alguma forma de mitigar essa questão? Estou aqui a pensar em sistemas como por exemplo o Start and Stop. Ajudam?

Ajuda, mas não de uma forma muito evidente. O sistema Start and Stop, que há 10, 15 anos era uma solução espetacular, porque não havia carros eletrificados, estou a falar dos híbridos, híbridos plugin e estou a falar dos 100% elétricos. E o que é que aquilo fazia? A circular em cidade, 15% a 20% do tempo tu passas parado, seja nos semáforos, seja nas filas do para arranca e por aí fora. Logo, um sistema que rapidamente parasse o motor para evitar que ele continuasse a gastar energia e a poluir, para depois o arrancar sem danos para o motor, obviamente, ninguém quer estragar o motor que tem, assim que precisavas de voltar a arrancar, era ótimo. Mas este sistema, que é bom recordar às pessoas que não tiveram que lidar com ele, desliga o motor sempre que o condutor trava ou pressiona a embraiagem para pôr em ponto morto, digamos assim, que desliga o motor. Este sistema depende 100% da bateria do carro, a mesma que alimenta os faróis, a buzina e os vidros elétricos. E tudo depende do estado da bateria. Em condições normais, este sistema pode funcionar durante 30 segundos. Se tiveres a bateria em pior estado, talvez menos. Mas não resolve bem o problema. Já agora, já que falas neste sistema, há quem pense que o Start and Stop esforça o motor e provoca mesmo a sua deterioração, se utilizado muitas vezes no para e arranca. Na realidade, isso não faz sentido. Primeiro porque os sistemas de Start and Stop, o tradicional motor de arranque, como tem que trabalhar muito mais vezes e muito mais intensamente, é substituído por um muito mais potente O que significa que este motor elétrico mais potente acaba por pôr o motor a combustão a funcionar com muito menor esforço e mais rapidamente. Ou seja, primeiro problema anulado. A segunda parte, em relação à degradação, também não faz sentido. Quem afirma isso está a pensar que aquilo está sem força de trabalhar, o motor está sem força de trabalhar, com o óleo frio, etc. Isto não acontece. O motor se tiver parado 30, imaginem que tenha uma bateria excelente, se tiver parado durante um minuto, o óleo não chegar certo é coisinha nenhuma, e aquilo volta a funcionar com óleo, o óleo fluído ou compressão, etc. Não estraga nada.

Alfredo, temos ainda um minuto e meio. Estivemos a falar de consumo em veículos quase exclusivamente a motores a combustão. Qual é a situação para motores híbridos e plugin?

Os híbridos, estamos a falar de full hybrid, os híbridos à séria, digamos assim, desculpa a expressão, porque os outros, os mild hybrid, na prática não servem para grande coisa. Tanto esses full hybrid como os híbridos plugin, aqueles que têm uma bateria que permite 50, 80 ou 100 km em modo elétrico, têm uma vida facilitada aqui. Porque na prática, primeiro, arrancam sempre em elétrico, pelo menos 99% dos modelos que existem no mercado. O que significa que não se coloca o problema do para e arranca, porque simplesmente o motor a combustão, se por acaso era aquele que estava a ser usado, para e o motor arranca em modo elétrico. Não esforça nada e enquanto está parado não consome nada. Se tiveres muito tempo parado, lá está com o ar-condicionado, o som e por aí fora, consomes a bateria, mas é outra bateria, é a bateria de tração para esse tipo de coisas. Os híbridos é uma situação mista, depende do sistema que a marca em causa utilizou, mas mais uma vez, também aí lidam mais facilmente com esta situação.

E é com estas explicações que fechamos a edição desta semana do "Operação Stop", Alfredo. Marcamos encontro de novo para a semana. Até lá, um grande abraço.