Programas de governo dos postulantes também falam sobre políticas industriais, inclusão social e participação da iniciativa privada

Regras fiscais mais rígidas, passando por reformas e investimentos. O Terra traz para você, a menos de um mês para o 1º turno, um resumo do que os candidatos a presidente da República propõem para a área de economia caso sejam eleitos. Os programas de governo dos 13 postulantes também falam sobre políticas industriais, inclusão social, abertura econômica e participação da iniciativa privada. 

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Essa reportagem faz parte da série O Brasil Que Eles Querem, que vai destrinchar os planos de governo dos candidatos à Presidência sobre Tecnologia, Educação, Cultura, Saúde, Segurança, Economia,  Meio Ambiente, Relações Internacionais,  Esporte e Diversidade

Os candidatos ideologicamente mais alinhados à direita defendem uma menor participação direta do Estado na economia, com prioridade para redução de gastos, do tamanho da máquina pública e maior protagonismo do setor privado. Já os alinhados à esquerda defendem um Estado mais ativo na indução do desenvolvimento, com uso de investimentos públicos e proteção social. 

Especialistas ouvidos pelo Terra avaliam que os candidatos apresentam propostas ambiciosas para estimular o crescimento, reorganizar as contas públicas e mudar a relação entre Estado e mercado, mas deixam dúvidas sobre como essas promessas podem ser colocadas em prática.

A seguir, veja o que diz cada candidato (em ordem alfabética pelo nome de urna) sobre suas propostas para a economia no Brasil.

A agenda econômica do candidato é centrada no empreendedorismo, na inclusão produtiva e na descentralização do desenvolvimento. De diferente, ele propõe criar um Ministério do Empreendedorismo. A proposta prevê formar até 10 milhões de novos empreendedores, com ampliação do acesso a crédito, capacitação, inovação e simplificação para abertura e formalização de empresas. Entre as medidas estão redução da burocracia, licenças mais rápidas, tributação reduzida e acesso facilitado de pequenos negócios ao crédito. 

Outra frente é a industrialização e agregação de valor à produção brasileira, com a proposta de estimular a criação de 10 mil novas indústrias e 10 mil agroindústrias. O plano defende que o Brasil deixe de exportar apenas matérias-primas e passe a transformar mais grãos e produtos agropecuários em alimentos processados, biocombustíveis, energia e outros produtos de maior valor agregado. A estratégia inclui investimentos em inteligência artificial, robótica, automação, semicondutores e outras tecnologias. 

A campanha não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas. 

O plano de governo da candidata apresenta uma agenda econômica baseada na criação de um ambiente de negócios mais simples, previsível e seguro, com redução da burocracia, digitalização da abertura de empresas e revisão de normas para ampliar a segurança jurídica. Em infraestrutura, o plano defende investimentos em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e cabotagem, utilizando concessões e parcerias público-privadas, além da expansão da conectividade e de condições para estimular a indústria, a inovação e a economia digital.

Na área fiscal, o programa propõe revisão de gastos e subsídios, planejamento plurianual orientado por metas e transparência na avaliação dos benefícios concedidos pelo poder público. A intenção é acompanhar indicadores como resultado fiscal, relação entre dívida e PIB e economia obtida com a revisão de despesas. A agenda também busca aumentar a competitividade e a produtividade, com maior segurança e confiabilidade energética, expansão da infraestrutura digital e estímulo à produção e às exportações de maior valor agregado. 

A campanha de Clariana Barão não disponibilizou um porta-voz para discutir as propostas. 

O plano econômico do PCB propõe uma ruptura com o modelo econômico que chama de “neoliberal” e uma transição para uma economia sob maior controle público. Entre as principais medidas estão a estatização do sistema financeiro, a criação de um Banco dos Trabalhadores e a retomada de empresas estratégicas privatizadas. O partido também defende o fim da autonomia do BC, a revogação do Arcabouço Fiscal, o controle público do câmbio e do comércio exterior e uma reforma tributária progressiva, com maior cobrança sobre fortunas, lucros, dividendos, heranças e transações financeiras.

Na área produtiva e trabalhista, o PCB cita política de reindustrialização, com investimentos públicos em tecnologia, informática, telecomunicações e setores considerados estratégicos. A Petrobras seria transformada em uma empresa 100% estatal, com retomada de ativos privatizados e maior controle sobre exploração, produção, refino e distribuição de petróleo. O programa também prevê recuperação do poder de compra dos salários, com o objetivo de elevar gradualmente o salário mínimo ao piso calculado pelo Dieese, redução da jornada para 30 horas semanais sem redução salarial e fim da escala 6x1. 

“Nossa proposta na área da economia parte da compreensão de que o Brasil precisa realizar uma profunda mudança no modelo econômico construído ao longo das últimas décadas. Queremos substituir a lógica neoliberal, subordinada aos interesses do capital financeiro e dos grandes monopólios, por uma política econômica voltada para o desenvolvimento soberano do País, a valorização do trabalho e a melhoria das condições de vida da maioria da população”, comentou Edmilson Costa.

A proposta econômica do candidato adota uma linha liberal, tendo como eixo central o equilíbrio das contas públicas e a redução do tamanho do Estado. O plano combina redução de gastos, controle da dívida pública em relação ao PIB, redução da carga tributária e maior protagonismo do setor privado. Defende também regras fiscais mais rígidas e busca de superávits, com a expectativa de que isso permita juros menores e inflação no centro da meta. Na parte tributária, propõe rever a reforma atual, reduzir impostos sobre consumo e produção, diminuir o IVA e desonerar investimentos e exportações.

Para gerar crescimento, o plano aposta no investimento privado, segurança jurídica, desburocratização e aumento da produtividade, com meta declarada de elevar o crescimento sustentado para 4% ao ano. Há também a meta de ampliar o acesso ao crédito e incentivar o empreendedorismo, além de investimentos em infraestrutura, energia, agronegócio, tecnologia e minerais críticos. O documento também defende maior abertura comercial e integração às cadeias globais de valor, com apoio à internacionalização de empresas brasileiras e atração de investimentos. 

"O plano de governo mostra as diretrizes do que é o melhor caminho para o País. Nosso foco é oferecer ao País soluções concretas, técnicas e, mais importante: que sejam exequíveis", disse Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e coordenadora de economia da campanha de Flávio Bolsonaro, ao Terra.

O plano econômico do PSTU parte de uma crítica ao modelo econômico brasileiro, que, segundo a candidatura, mantém a dependência do país em relação às grandes potências e concentra riqueza nas mãos de multinacionais, grandes empresas e do agronegócio. A proposta defende a estatização de empresas estratégicas, como Petrobras e Vale, além do controle dos grandes bancos e da conta de capitais para impedir a saída de riquezas do país. 

O programa também propõe uma taxação fortemente progressiva sobre os lucros das grandes empresas e o direcionamento dos recursos para investimentos produtivos e serviços públicos. O programa também prevê a revogação das reformas Trabalhista e da Previdência, o fim da terceirização e uma bolsa equivalente ao salário mínimo para desempregados enquanto não houver pleno emprego.