Premidas por dívidas, famílias reduzem ritmo de alta das compras desde 2025, e tendência deve seguir

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13.out.2026 às 22h00

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Mais uma vez, a estratégia de impulsionar a atividade econômica por meio de gastos públicos encontra seu limite. Desta vez, o freio é o esgotamento da expansão do consumo das famílias, endividadas ao longo dos últimos anos por um modelo de política econômica que infla a demanda sem bases produtivas sustentáveis.

Entre 2021 e 2025, segundo o IBGE, o consumo privado avançou em média 3,3% ao ano, com pico de 5,1% em 2024. Em 2025, o ritmo já caiu para 1,3%, e a expectativa é de somente 1% neste ano e ainda menos no próximo.

A principal causa está no elevado endividamento das pessoas físicas. O volume de crédito a elas direcionado cresceu de forma acelerada, com alta de 10,5% em 12 meses até meados de 2026.

Dados do Banco Central mostram dívidas equivalentes a 49,9% da renda acumulada em 12 meses até julho, enquanto o comprometimento da renda com o pagamento de juros e amortizações chegou a 28,7%.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mais de 80% das famílias carregam algum tipo de passivo, um patamar recorde.

O roteiro se repete nas gestões petistas. Assim como no primeiro mandato de Dilma Rousseff, o terceiro governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expandiu o gasto público de forma temerária, em particular com benefícios sociais. Conseguiu assim sustentar o consumo por algum tempo, mas sem alicerce correspondente em aumento da produtividade.

Os custos dessa política não deveriam surpreender mais: pressões inflacionárias, necessidade de juros mais altos e deterioração das contas públicas.

Na gestão atual, as despesas federais cresceram em média cerca de 5% ao ano acima da inflação, muito além do ritmo da economia. O resultado inevitável é o aperto da política monetária sobre famílias e empresas.

A deterioração das expectativas é clara. A pesquisa Focus, do BC, projeta expansão do PIB de 1,85% neste ano e apenas 1,4% em 2027, com viés de baixa para variação inferior a 1%.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) acaba de reduzir suas estimativas, para 2,2% e 1,9%, respectivamente. É menos pessimista, mas costuma chegar atrasado em relação a analistas locais. O desemprego deve subir, de 6,2% para 6,8% em 2027.

Lula continua enfileirando benesses, como nesta terça-feira (13), com o projeto de perdão de dívidas para microempreendedores individuais (MEIs). O momento do ajuste, adiado neste ano eleitoral, virá no próximo governo, qualquer que seja o resultado do pleito presidencial.

Ainda que não se antecipe uma recessão profunda nos moldes de 2015-16, quando o PIB caiu cerca de 7%, uma desaceleração expressiva já está em curso —e se agravará de modo duradouro se não houver correção de rota. Sem reequilíbrio orçamentário, os juros permanecerão nas alturas e estrangularão a economia.

editoriais@grupofolha.com.br

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