Pesquisa aponta queda da opinião favorável ao país, apesar da expansão da direita populista na região

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

13.out.2026 às 22h00

Edição Impressa Diminuir fonte

A expansão da direita populista na América Latina nos últimos anos traduziu-se num alinhamento mais forte de governos da região à agenda da Casa Branca.

Mas a imagem dos EUA entre os latino-americanos se deteriorou desde a volta de Donald Trump ao poder. Ademais, a agressividade do republicano pode ter beneficiado seu principal rival econômico e estratégico, a China.

Segundo pesquisa recente do Latinobarómetro, a parcela da população local que tem uma opinião favorável aos EUA caiu de 73% em 2024 para 63% em 2026.

O país ainda é mais apreciado do que a China, que alcançou 58% em 2026, ante 54% em 2024. Porém, pela primeira vez desde que essa questão foi incluída na pesquisa, em 2020, os latino-americanos acham que a influência chinesa é melhor do que a americana: 65%, ante 57% pró-EUA.

No Brasil, 59% consideram boas as relações com os americanos, enquanto a taxa da América Latina é bem maior (71%). Com a China, a avaliação positiva brasileira supera a dos EUA e alcança 65%, próxima à média da América Latina (67%, a maior desde 2015).

É possível que os resultados sinalizem uma repercussão negativa da política externa de Trump para a região, que trata proverbialmente como seu quintal. É notório seu empenho em extrair benefícios econômicos e comerciais sem atenção a contrapartidas, como no caso das tarifas abusivas, e em priorizar os investimentos produtivos domésticos.

A truculência geopolítica do americano também ficou explícita com a invasão da Venezuela e o controle do seu governo de transição; o cerco a Cuba, já degradada por um modelo econômico arcaico e estatizante; e a deportação generalizada de imigrantes nos Estados Unidos, muitos deles latino-americanos.

A atual gestão internacional de Washington é desaprovada na região por 59%, e seu impacto é tido como negativo por 55%. A guerra dos EUA contra o Irã é considerada danosa para 77%.

De zero a 10, a nota da América Latina a Trump não passou de 4,7, sendo 4 no Brasil. No Chile e na Argentina, países que abraçaram a sua doutrina de segurança hemisférica, o Escudo das Américas, as notas do republicano foram 3,3 e 4,0, respectivamente.

A pesquisa revela que a crescente preferência eleitoral por candidatos de direita na região não se traduz diretamente em apreço pelos EUA. Questões domésticas, principalmente em relação à segurança pública, um problema local crônico, podem se sobrepor aos temas mais distantes da geopolítica e do comércio global.

editoriais@grupofolha.com.br

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante