Haverá uma extensa lista de exceções que inclui carne, café e suco de laranja, produtos importantes da pauta exportadora brasileira
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15.jul.2026 às 23h55 Atualizado: 16.jul.2026 à 1h01
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acatou a recomendação do USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA) para tarifar produtos brasileiros em 25%. A decisão foi divulgada na noite desta quarta-feira (15) e encerra a investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, iniciada em julho do ano passado.
Porém, como foi divulgado em junho, há uma lista de exceções com cerca de 2.100 itens que incluem carne, café, laranja e suco de laranja e partes para a fabricação de aviões, produtos importantes para a pauta exportadora brasileira.
Após analisar comentários de empresas e associações nas audiências da semana passada, o governo americano ainda ampliou a lista de produtos brasileiros que ficarão livres da tarifa.
A justificativa é que esses itens são insumos importantes para a indústria americana, têm pouca oferta doméstica ou são difíceis de substituir por fornecedores de outros países, de modo que a sobretaxa poderia provocar aumento de custos e desorganizar cadeias produtivas nos EUA.
Entre os produtos incorporados à lista de exceções estão ferro-gusa, café solúvel sem adição de sabor, mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, determinados frutos do mar, couros, alguns produtos de madeira, medicamentos e insumos farmacêuticos, além de antiguidades, obras de arte e roupas usadas.
Nem todos os pedidos de isenção, no entanto, foram aceitos. O governo americano rejeitou solicitações apresentadas por setores como máquinas agrícolas, máquinas industriais, vestuário, calçados, equipamentos elétricos, ferramentas de jardinagem, papel, açúcar orgânico e diversos produtos manufaturados.
Embora empresas tenham alegado aumento de custos e dificuldade para substituir fornecedores brasileiros, o USTR concluiu que esses bens podem ser obtidos em outros mercados ou que as consequências econômicas não justificam uma exceção à tarifa.
A agência ainda retirou da lista de isentos a celulose de alta pureza, após receber manifestações de que produtores brasileiros do insumo seriam beneficiados por práticas ligadas ao desmatamento ilegal.
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O USTR investigou desde temas que são motivo de atrito com os EUA há anos, como as tarifas brasileiras sobre a importação de etanol, até queixas mais novas, como o Pix –empresas americanas de cartão de crédito alegam que o Banco Central concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo, o que o governo Lula (PT) nega.
As tarifas devem entrar em vigor no dia 22 de julho. Segundo uma autoridade americana, os canais ainda estão abertos para negociação. Porém há reclamações de que o governo americano tentou, durante um ano, negociar com o Brasil, mas não obteve sucesso.
Essa mesma autoridade afirma que entre os motivos que levaram os EUA a tarifar o Brasil estão o fato de que tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas determinando que empresas americanas de tecnologia removam determinados conteúdos políticos.
Além disso, diz que as empresas passaram a enfrentar multas diárias elevadas em caso de descumprimento dessas decisões e, em determinadas circunstâncias, podem até ser obrigadas a interromper suas operações no Brasil.
No caso dos serviços de pagamentos eletrônicos, a investigação concluiu que o Brasil prejudicou empresas americanas concorrentes ao favorecer seu sistema nacional de pagamentos, o Pix, operado pelo Banco Central. O alto funcionário reconhece que os países podem ter seus próprios sistemas de pagamento, mas alega que o Pix foi criado em um ambiente de concorrência desleal por meio do sistema estatal.




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