Lançado no Japão em 2001, modelo foi fabricado no Brasil entre 2003 e 2021

Foto de: Reprodução Jason Vogel Por: Jason Vogel 15 Jul em 13:00

Adicione Motor1.com como fonte preferencial no Google Facebook X LinkedIn WhatsApp E-Mail Cópia Compartilhe Comente Um carro honesto. Esse era o melhor adjetivo para descrever o Honda Fit. Podia não ser excitante de guiar, mas era um meio de transporte dos mais confiáveis e econômicos. Um bom companheiro, especialmente para um tipo de motorista urbano que passa longos anos sem trocar de automóvel.

Lá se vão 25 anos desde seu lançamento no Japão, em 21 de junho de 2001. E, até hoje, o Fit — ou "Fitto", como dizem os japoneses — ainda é fabricado por lá. Das quatro gerações, o Brasil produziu as três primeiras ao longo de 18 anos. O tempo voa…

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Plataforma para abrir espaço O mercado de entrada no Japão é tradicionalmente dominado pelos K-cars, carrinhos diminutos em tamanho e cilindrada que existem graças a uma série de facilidades tributárias. Compactos um degrau acima da categoria dos K-cars não faziam tanto sucesso. Para piorar, alguns eram carros sem qualquer graça, como o apagado Honda Logo (1996-2001).

A Honda precisava produzir um substituto com mais brilho. Liderada pelo engenheiro-chefe Yoshio Ui, a equipe de desenvolvimento partiu de uma folha em branco para criar a Global Small Car Platform.

As equipes de engenharia, design e vendas trabalharam lado a lado desde o início do projeto. O resultado foi um compacto que fugia ao comum, com linhas que mais lembravam as de uma minivan em miniatura.

Uma grande sacada que viabilizou o milagre do espaço interno do Fit foi reposicionar o tanque de combustível. Em vez de ficar sob o banco traseiro, como era o padrão da indústria, o tanque de plástico moldado foi deslocado para a parte central do carro, logo abaixo dos bancos dianteiros.

Essa mudança arquitetônica liberou a traseira do veículo, permitindo criar um assoalho ultrabaixo e plano. Os bancos traseiros podiam ser rebatidos de diversas formas, criando um vão de carga capaz de levar de bicicletas a vasos de plantas com facilidade.

O motor de estreia era o supereficiente 1.339 cm³ i-DSI (dupla ignição sequencial inteligente, com duas velas por cilindro), acoplado a uma transmissão CVT. O sucesso foi imediato: em 2002, o Fit desbancou o Toyota Corolla do topo do ranking de vendas japonês, quebrando uma hegemonia de 12 anos.

Inicialmente, o nome do novo Honda seria Fitta, até que alguém avisou que, no idioma sueco, fitta é a palavra informal para a genitália feminina. Dizem que já havia até material publicitário e manuais impressos quando o compacto foi rebatizado de Fit, um nome que, aliás, caiu como uma luva para um modelo jeitosinho e que ajusta seu interior às necessidades dos ocupantes.

Na Europa e em países da África, Oriente Médio, Sudeste Asiático e Oceania, o modelo recebeu o nome Jazz e também bateu recordes de emplacamentos.

Rumo ao Brasil A Honda havia começado a fabricar automóveis no Brasil com o sedã Civic, no final de 1997. Chegava o momento de fazer um modelo menor e de preço mais acessível. No mesmo ano em que lançou o Fit no Japão, a fabricante anunciou que o modelo seria nacionalizado.

O mercado estava bombando, com novos compactos como Citroën C3, VW Polo, Ford Fiesta e até a Chevrolet Meriva. Em 14 de abril de 2003, a Honda começou a produzir o Fit no Brasil. A unidade de Sumaré (SP) foi a segunda no mundo a fabricar o carro, depois de Suzuka, no Japão. A seguir, um resumo de sua história em nosso mercado.

Primeira geração – GD (2003 a 2008) Compacto por fora, com 3,83 m de comprimento, o primeiro Fit se destacava pelo aproveitamento interno, com entre-eixos de 2,45 m. Mistura de hatch com monovolume, tinha um bom porta-malas para seu tamanho (353 litros, com todos os bancos no lugar). Os pontos de ancoragem da suspensão traseira por eixo de torção haviam sido pensados especialmente para liberar espaço para a bagagem.

No lançamento, o Fit saía com o motorzinho de 1.339 cm³ e dupla alumagem. No Brasil, era chamado de "1.4", com alguma liberdade poética. O câmbio podia ser manual de cinco marchas ou automático CVT, que ainda tinha ares de novidade em nosso mercado.

A suspensão era firme, mas a caixa CVT fazia o motor soar como uma enceradeira patinando sobre o sinteco liso. O desempenho não era grande coisa: 0 a 100 km/h na casa dos 15 segundos e velocidade máxima inferior a 160 km/h. Em compensação, na cidade o carrinho superava os 11 km/l; na estrada, fazia 15 km/l, ótimas marcas para a época.

Não era um carro baratinho. Desde a configuração de entrada, já trazia ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos e airbag para o motorista. A versão básica LX custava R$ 33.960, enquanto a LXL saía por R$ 36.600, valores que batiam de frente com os da Chevrolet Meriva. Um VW Polo 1.6 básico custava R$ 32.550.

Para quem achava 80 cv pouco, a Honda apresentou, em 2004, o Fit EX, com motor 1.5 VTEC de 105 cv. Para diferenciar o irmão mais forte, o logotipo Fit tinha o pingo do "i" azul (no 1.4 o pingo era vermelho). Em 2007, o 1.4 foi transformado em flex. Foi ainda na primeira geração que o Fit conquistou sua fama de carro que não dá dores de cabeça e mantém alto valor de revenda.

Segunda geração – GE (2008 a 2014) A segunda geração do Fit foi apresentada em outubro de 2008, como linha 2009. Mantinha a opção de motores 1.4 e 1.5, mas trocou o câmbio CVT pelo automático tradicional de cinco marchas. Cresceu 5 cm no comprimento e passou uma nova impressão também no design. Parecia um carro bem maior, com faróis e lanternas vistosos, linhas mais arredondadas e interior melhorado e mais bem acabado.

Em 2012, a segunda geração do Fit recebeu uma reestilização, com novos faróis, grade e para-choques, além de algumas melhorias mecânicas. Em 2013, a versão Fit Twist, com motor 1.5, pôs o modelo na onda dos aventureiros.

Terceira geração – GK (2014 a 2021) No final de 2013, a terceira geração do Fit foi apresentada no exterior. Como era de praxe na época, a Honda anunciou que a novidade chegaria em breve ao Brasil.