A empresa negou que as ferramentas tenham algum tipo de 'viés e afirmou que medidas implementadas em suas plataformas foram feitas para cumprir as regras eleit...

A Meta, empresa dona de plataformas de redes sociais como o Facebook, Instagram e WhatsApp, admitiu nesta sexta-feira (16) que houve “incidentes técnicos recentes” que afetaram campanhas de diferentes campos políticos. A empresa negou, no entanto, que tenha “tomado partido” para favorecer determinado candidato ou interferido nas eleições.

“Hoje, compartilhamos informações sobre incidentes técnicos recentes que afetaram campanhas de diferentes posições do espectro político nas eleições brasileiras de 2026. A Meta não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição, e são falsas e infundadas as alegações de que estamos favorecendo ou interferindo em nome de qualquer candidato ou grupo político. Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos”, afirmou a Meta em nota.

A nota foi emitida após o jornal Folha de S. Paulo publicar uma reportagem com diálogos de funcionários da Meta identificando restrições indevidas a contas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Instagram e recomendação algorítmica do perfil de Flávio Bolsonaro (PL) na plataforma e no WhatsApp. As conversas, segundo a matéria, se deram em um contexto em que os funcionários tentavam resolver o suposto problema.

As restrições à conta de Lula foram alvo de questionamento da campanha do petista no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A equipe jurídica do presidente também questionou a restrição do alcance de algumas contas de Lula e outras pessoas do mesmo campo político, o que não teria afetado candidatos da direita, além de uma falha observada pela campanha na ferramenta de inteligência artificial da empresa no WhatsApp. Segundo testes da campanha, a Meta AI bloqueava a criação de imagens de campanha relacionadas a Lula, mas permitia que conteúdos ligados à Flávio fossem produzidos.

A ação está sob a relatoria do ministro Marco Aurélio Bellizze que, na quinta-feira (15), determinou que a Meta não interfira na distribuição de conteúdo político-eleitoral de nenhum candidato até o fim do segundo turno das eleições, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. A decisão está em julgamento pelo plenário virtual do TSE e já há maioria para referendar a decisão de Bellizze.

No mesmo dia, a empresa também se reuniu com a cúpula da corte eleitoral para tratar do tema. Na ocasião, disse que trabalhava para aperfeiçoar filtros de suas ferramentas de IA e apresentou informações sobre os episódios identificados.

Na nota divulgada nesta sexta, a empresa negou que as ferramentas tenham algum tipo de “viés” e que as medidas implementadas em suas plataformas foram feitas para cumprir as regras eleitorais, sendo aplicadas da mesma forma a todos os candidatos, partidos e campos políticos.

“Grande parte das demais medidas – como a aplicação das regras a conteúdo gerado por IA em período de silêncio eleitoral previsto em lei e a exclusão de contas de candidatos das recomendações – reflete exigências legais, e não penalidades ideológicas”.

Por fim, disse que seguirá “cumprindo a legislação eleitoral brasileira, corrigindo erros quando ocorrerem e garantindo condições igualitárias para todos que utilizam nossos serviços”.

Veja abaixo as explicações da Meta sobre cada ponto questionado pela campanha de Lula no TSE.

Segundo a Meta, em 23 de setembro, a conta de anúncios de Lula foi desativada por engano, e não por razões políticas. A empresa disse que houve a medida foi tomada porque um anúncio foi classificado como uma “possível tentativa de se passar por um programa social do governo durante uma análise mais ampla de combate a fraudes” e, por isso, gerou o bloqueio da página de anúncios, que é diferente do perfil do candidato.

Em 9 de outubro, uma “falha global” impediu a criação de anúncios a partir de publicações já feitas no Instagram, o que afetou milhares de perfis, mas não o de Lula, de acordo com a empresa.

Em 7 de outubro, a contagem de visualizações dos reels, os vídeos curtos do Instagram, ficou congelada, errada ou zerada por cinco horas, afetando a conta de Lula. A empresa destacou que o problema atingiu contas em mais de 100 países e que a campanha de Flávio também entrou em contato com a Meta naquele dia para relatar o mesmo problema.

Usuários da Meta AI, ferramenta de inteligência artificial da empresa no WhatsApp, relataram que não conseguiam gerar imagens de campanha relacionadas a Lula, mas que não havia o mesmo bloqueio para conteúdos relacionados à Flávio.

Sobre esse ponto, a empresa disse que proibiu temporariamente a Meta AI de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil para cumprir as regras eleitorais. Argumentou que o incidente específico envolvendo os candidatos é fruto de uma “lacuna específica em nossas proteções, e não de um viés político” e que a lacuna foi corrigida no mesmo dia.

“Nossos sistemas bloqueavam prompts no Brasil que mencionavam claramente qualquer um dos candidatos – incluindo ‘Lula’, ‘Luiz Inácio Lula da Silva’, ‘Bolsonaro’ e ‘Flávio Bolsonaro’ -, mas nem sempre reconheciam um candidato quando um primeiro nome comum era combinado com um número eleitoral. Como resultado, alguns prompts que usavam ‘Flávio’ com seu número podiam gerar imagens de cartazes. A mesma lacuna afetava o outro candidato: prompts que usavam ‘Luiz’ com o número de Lula também podiam gerar imagens de cartazes. Bloquear isoladamente nomes comuns como ‘Flávio’ ou ‘Luiz’ impediria muitas solicitações cotidianas de geração de imagens e não políticas”, afirmou a Meta.