Banco elevou os preços-alvo das três transmissoras, mas manteve recomendação neutra para Taesa e compra para outros dois papéis.

Banco elevou os preços-alvo das três transmissoras, mas manteve recomendação neutra para Taesa e compra para outros dois papéis

Linhas de transmissão de energia elétrica - Imagem: iStock/imaginima

A expansão da rede elétrica brasileira pode se transformar em uma nova oportunidade para quem investe em ações de energia. Com bilhões de reais em novos projetos no horizonte e mudanças regulatórias capazes de alterar a remuneração das empresas de energia, Taesa (TAEE11), Alupar (ALUP11) e ISA Energia (ISAE4) voltaram ao radar do Itaú BBA. 

O banco elevou os preços-alvo das três companhias para o fim de 2027, embora sem mudanças nas recomendações.  

A preferência continua com a Alupar, que combina potencial de crescimento e disciplina na alocação de capital, segundo os analistas, e com a ISA Energia, vista como uma oportunidade de investimento a um valuation atrativo.  

Já a Taesa segue com recomendação neutra, apoiada pelo perfil defensivo e pelos dividendos, mas com menor potencial de valorização na avaliação dos analistas. 

O setor de transmissão tem uma nova rodada de investimentos pela frente.  

O Leilão 4/2026 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevê R$ 8,9 bilhões em investimentos distribuídos por oito lotes, com receita anual permitida (RAP) de R$ 1,63 bilhão — a remuneração que as transmissoras recebem pela disponibilidade de suas instalações. 

O Itaú BBA também espera que 2027 seja um ano recorde em novos leilões. Depois disso, o plano de expansão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê outros R$ 19 bilhões em projetos. 

Para os analistas, a perspectiva favorece empresas capazes de conquistar concessões e ampliar a operação sem comprometer o retorno dos investimentos.  

Nesse quesito, a Alupar é a favorita do banco, graças à disciplina financeira e às oportunidades no Brasil e em mercados latino-americanos, especialmente Chile e Peru. 

Mas os novos projetos não são o único fator no radar. A indenização por ativos ao fim das concessões e a revisão do custo regulatório de capital, conhecido como WACC, também podem influenciar a avaliação das companhias.  

Segundo o banco, uma eventual mudança no WACC deve ter impacto limitado em 2027 e 2028, embora a ISA Energia seja a mais exposta entre as três por causa do peso das concessões renovadas em seu portfólio. 

Na Taesa, a principal questão é o que acontecerá com os ativos que chegarão ao fim das concessões.  

Cerca de 40% da receita anual permitida da companhia vence até 2032, e a Aneel ainda discute quais investimentos poderão ser indenizados. Uma definição é esperada para o primeiro semestre de 2027. 

No cenário-base, o Itaú BBA considera que a indenização ficará restrita aos investimentos em reforços e ampliações de ativos existentes, equivalentes a 18% da base potencial de ativos ainda não depreciados.  

O banco elevou o preço-alvo de R$ 41,80 para R$ 43,50, mas manteve a recomendação neutra devido ao potencial de valorização menor. A nova cifra implica uma queda potencial de cerca de cerca de 4,7% frente ao último fechamento.  

"Vemos a empresa como uma opção de menor risco e focada em dividendos, mas entendemos que seuvaluation limita o potencial de alta frente os pares", avaliam os analistas.

Contudo, os analistas afirmaram que, se a decisão permitir a indenização integral, o preço-alvo poderia subir dos atuais R$ 43,50 para R$ 55,50. 

Para o banco, a ação segue atraente para investidores que priorizam previsibilidade e distribuição de proventos, com dividend yields estimados em 5,9% em 2026, 8,1% em 2027 e 10,5% em 2028. 

 A expectativa é de que a redução dos investimentos e da alavancagem favoreça os pagamentos nos próximos anos.