Howard Lutnick, secretário do Comércio e defensor de tarifas como as cobradas do Brasil, não é o ápice da simpatia, mas tem uma história incrível

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A matéria detalha a história de Howard Lutnick, CEO da Cantor Fitzgerald, que escapou da morte no 11 de Setembro por levar o filho à escola, perdendo 658 funcionários e seu irmão. Ela explora como ele lidou com a tragédia, transformando a dor e a inicial acusação em um legado de apoio e filantropia para as famílias das vítimas.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A especialidade dele é dinheiro – tanto que tem 7,4 bilhões de dólares, um bilhão a mais que o chefe, Donald Trump. Só isso já tornaria Howard Lutnick um personagem menos simpático, principalmente no oceano de histórias comoventes e heroicas de tantos que morreram nas torres gêmeas do World Trade Center tentando ajudar outros. Mas vale a pena relembrá-la nesses 25 anos dos atentados terroristas, tanto pelo que nos diz sobre a mão aleatória do destino quanto pela forma que ele encontrou para compensar as famílias das vítimas da corretora que presidia, a Cantor Fitzgerald, a maior do mundo na área de títulos.

Na manhã de 11 de setembro de 2001, Lutnick, um viciado no trabalho que o levou de corretor a presidente e principal executivo da Cantor, abriu uma exceção na rotina de intensa dedicação e foi levar o filho Kyle, de cinco anos, no primeiro dia de pré. Estava ainda na escola quando o primeiro avião, o voo 11 da American Airlines, entrou espantosamente na torre norte, às 8h46 da manhã.

Nos cinco andares ocupados pela Cantor, acima do local do primeiro impacto, estavam 658 funcionários da corretora. Nenhum saiu vivo do prédio que desabou às 10h28. Foi a instituição que mais perdeu integrantes nos atentados. Só para entender o impacto sobre a corretora: o número total de vítimas nos andares superiores, impedidas de sair pelas escadarias destruídas, foi cerca de 800.

“Perdi meu irmão, Gary. Perdi meu melhor amigo, Doug. Perdi o irmão do meu colega de quarto na faculdade, o cunhado de meu outro melhor amigo”, rememorou ele para a jornalista Salina Zito.

Perdeu também a reputação, acusado de não pagar os salários das vítimas às famílias enlutadas. Passou os anos seguintes tentando compensar isso, inclusive com a doação de 25% dos lucros da corretora e múltiplas ações beneficentes, unindo a filantropia com a inovação na produção de fundos.

“A promessa de tomar conta das famílias foi ridicularizada. Como uma companhia destruída pode tomar conta de alguma coisa, perguntavam. Mas a companhia cumpriu as promessas. A coisa mais importante da minha vida durante todos aqueles anos foi a relação com as famílias”, disse Lutnick.

Sobre a passagem do tempo, diz, como muitos outros envolvidos, que parece uma eternidade e ao mesmo tempo que foi ontem. O filho Kyle está com trinta anos e vai se casar. “Ele sabe que salvou minha vida e tira vantagem disso”, brinca.

A cada 11 de setembro, todos os funcionários da Cantor, que hoje são 12 mil em vinte países, doam os rendimentos do dia a obras filantrópicas. A ação já gerou 300 milhões de dólares. Nada compensará a perda das 2 977 pessoas mortas nos atentados (2 753 no World Trade Center, 184 no Pentágono e 40 no voo 93 da United que caiu na Pensilvânia). Mas amparar materialmente as famílias é um dever moral que foi cumprido com honra pelos americanos.

Não é preciso gostar de Lutnick nem simpatizar com as tarifas sobre exportações brasileiras para entender que ele fez a sua parte.