Transição para voos operados por instrumentos entrará em fase de testes por seis meses
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Estudo de demanda contratado pela concessionária do aeroporto do Campo de Marte estima que o número de pousos e decolagens pode mais do que dobrar até 2052 com as obras de expansão do espaço, localizado em Santana, zona norte de São Paulo. A estimativa considera a operação de voos por instrumentos, que entrará em testes por volta de agosto.
Segundo o levantamento, a média diária deve crescer de 161 para 375 pousos e decolagens, incremento de 132,9% em relação a 2023. Em dia de pico, poderá alcançar 1.104 movimentos em 2052. A concessão é da PAX Aeroportos, controlada por fundo do grupo XP Inc.
Balanço do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) já aponta crescimento, com aumento de 59.297 movimentações, em 2023, para 66.781, em 2025. A projeção é de 98.031 em 2030. O Campo de Marte foi o 12º aeroporto mais movimentado do Brasil no ano passado.
Por outro lado, vizinhos têm reclamado de ruído. A maior mobilização envolve grupo da zona oeste que reclama do fluxo de helicópteros ao MPF (Ministério Público Federal). O órgão pediu esclarecimentos ao governo em março.
A implantação do chamado IFR (regras de voo por instrumento) é uma das exigências da concessão, cujo resultado foi anunciado em 2022. A mudança ajudará a viabilizar voos comerciais.
Especialista em aviação ouvido pela reportagem defende a expansão diante da saturação dos demais aeroportos e tendência de aumento na demanda.
Por sua vez, o mercado imobiliário é crítico porque o IFR exige pré-análise de parte dos empreendimentos em raio de 20 km e pode implicar restrições de altura, como revelou a Folha.
A concessionária do aeroporto de Congonhas também tem manifestado preocupação. A Aena propôs sincronização das operações, porque a aproximação de voo em um aeródromo tende a inviabilizar a chegada no outro.
Em nota, aponta que colabora com solução técnica que "permita o crescimento sustentável e seguro do espaço aéreo, sem prejudicar o atendimento à demanda da aviação comercial".
O Ministério dos Portos e Aeroportos defende que o IFR trará maior segurança e reduzirá cancelamentos ligados à baixa visibilidade. Ainda salienta que a concessão passou por consulta e audiência públicas.
A operação por instrumentos será adotada após a PAX cumprir todos os pré-requisitos. Havia algumas pendências na última inspeção, porém, em maio.
A transição será paulatina, com seis meses de testes e até quatro operações com IFR por hora. Será feita uma avaliação posterior, para possíveis ajustes.
A concessão é de 30 anos, podendo ser prorrogada por mais cinco anos. Inclui ainda o aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A estimativa é de investimentos de R$ 1,7 bilhão, entre reformas, modernização, manutenção e contrapartidas.
Até 2052, deve aumentar especialmente a movimentação de jatos, turboélices e mais aeronaves leves, que passarão a 63% do total, ante 37% de helicópteros. Hoje, a divisão é meio a meio.




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