Os relatos de celebridades e influenciadores sobre os efeitos das chamadas canetas emagrecedoras deixaram de se concentrar apenas na perda de peso. Nas redes sociais, cresce o número de pessoas que compartilham mudanças no rosto e no corpo após o uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, levantando discussões sobre flacidez e perda de sustentação da pele. Boca de Mounjaro: veja cuidados com os efeitos das canetas emagrecedoras na saúde oral 'Bumbum de Mounjaro': efeito associado

Os relatos de celebridades e influenciadores sobre os efeitos das chamadas canetas emagrecedoras deixaram de se concentrar apenas na perda de peso. Nas redes sociais, cresce o número de pessoas que compartilham mudanças no rosto e no corpo após o uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, levantando discussões sobre flacidez e perda de sustentação da pele.

Boca de Mounjaro: veja cuidados com os efeitos das canetas emagrecedoras na saúde oral'Bumbum de Mounjaro': efeito associado às canetas emagrecedoras viraliza nas redes

O assunto também chegou aos consultórios de dermatologia, onde aumenta a procura por tratamentos voltados à recuperação da firmeza da pele durante e após o emagrecimento. É nesse contexto que especialistas passaram a adotar uma abordagem que acompanha a perda de peso com estímulos à produção de colágeno, estratégia que alguns chamam de "Reset Tecidual".

A perda de peso proporcionada por esses medicamentos não reduz apenas os depósitos de gordura. Segundo especialistas, o emagrecimento acelerado pode alterar os contornos da face, diminuir a sustentação dos tecidos e comprometer a firmeza da pele, tornando o rosto mais marcado e com aparência de cansaço.

"Quanto antes o tratamento for iniciado, melhor. Até porque hoje se entende que o Mounjaro pode agir em receptores hormonais da pele, diminuindo ou dificultando a produção de colágeno. E por isso as peles têm apresentado tanta flacidez, além de um grau de flacidez superior ao observado nos emagrecimentos que eram feitos anteriormente, sem o uso dos análogos de GLP-1. No entanto, quanto antes se iniciar os tratamentos, melhor o resultado", esclarece a dermatologista Flávia Brasileiro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

A dermatologista Paola Pomerantzeff explica que a flacidez é apenas uma das consequências do emagrecimento expressivo. A perda de gordura em regiões como maçãs do rosto e têmporas modifica a estrutura facial e pode acentuar sinais de envelhecimento.

"O emagrecimento modifica toda a arquitetura da face. Muitas vezes, o paciente perde gordura em regiões estratégicas, como as maçãs do rosto e a região das têmporas, o que pode gerar aspecto cansado e envelhecido. Em paralelo, há diminuição da firmeza da pele e alteração da sustentação dos tecidos. Por isso, não existe um único procedimento capaz de resolver tudo. É necessário montar um plano individualizado para cada paciente", afirma a médica, também integrante da SBD.

Na avaliação da endocrinologista Deborah Beranger, a perda de sustentação costuma ser mais evidente na região das bochechas e do pescoço, áreas em que a redução de gordura tende a ficar mais aparente.

"Na verdade, a flacidez vem como um todo. Só que no rosto, como uma região menor e por perder a gordura de bichat, presente na região da bochecha, a flacidez aparece de maneira mais evidente. É mais nítida a flacidez da área da bochecha despencando e a área do pescoço, que incomoda mais o paciente por ser evidente", destaca.

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Esse movimento também tem mudado a forma como os dermatologistas conduzem os tratamentos. Em vez de apostar em um único procedimento, a tendência é combinar diferentes recursos para estimular a produção de colágeno, melhorar a qualidade da pele e recuperar parte da sustentação perdida ao longo do emagrecimento.

Segundo os especialistas, esses tratamentos não substituem a cirurgia plástica quando ela é indicada, mas podem contribuir para melhorar a firmeza da pele em casos leves e moderados. Entre as opções utilizadas estão aparelhos de radiofrequência, ultrassom microfocado, lasers e bioestimuladores de colágeno, escolhidos de acordo com a necessidade de cada paciente.

Além da pele, outro aspecto que merece atenção é a preservação da massa muscular. Como essas medicações aumentam a saciedade, alguns pacientes acabam permanecendo muitas horas sem se alimentar, o que pode favorecer o catabolismo e a perda de músculos, inclusive na face.

"Com essas medicações, como normalmente o paciente fica com o aumento da saciedade, ele pode ficar muitas horas sem comer. E isso começa a fazer catabolismo: o paciente queima gordura, mas vai chegar em um momento que que ele começa a queimar músculo também. Então, esse paciente tem que ser muito orientado da parte nutricional. Ele não pode ficar muitas horas sem comer e ele tem que comer proteína para evitar queimar massa muscular tanto do corpo como também do rosto", diz Deborah.

Para acompanhar essa demanda, alguns equipamentos passaram a incorporar estímulos também para a musculatura facial, combinando tecnologias que atuam em diferentes camadas da pele e dos tecidos de sustentação.

Para Paola, a principal mudança está na forma de compreender o cuidado com quem utiliza medicamentos para emagrecer. "O mais importante é compreender que emagrecer e cuidar da pele não são etapas separadas. Quando existe planejamento, é possível tratar simultaneamente a saúde metabólica e a saúde da pele, proporcionando resultados mais equilibrados e naturais para o paciente", conclui.