Imagem criada pela IA para representar a proposta do projeto de inovação | Foto: ChatGPT Um investimento de R$ 871,1 milhões da multinacional francesa TotalEnergies em Presidente Kennedy, Sul capixaba, pode colocar o Estado na corrida por um novo ramo de negócios ligado à indústria de baixo carbono.A empresa vai pesquisar como armazenar, de forma permanente, o dióxido de carbono (CO) emitido pelas indústrias em reservatórios geológicos no mar, iniciativa que pode abrir oportu

Um investimento de R$ 871,1 milhões da multinacional francesa TotalEnergies em Presidente Kennedy, Sul capixaba, pode colocar o Estado na corrida por um novo ramo de negócios ligado à indústria de baixo carbono.

A empresa vai pesquisar como armazenar, de forma permanente, o dióxido de carbono (CO) emitido pelas indústrias em reservatórios geológicos no mar, iniciativa que pode abrir oportunidades para empresas capixabas de engenharia, transporte, monitoramento e outros serviços especializados.

O projeto será um dos destaques da Mec Show e foi antecipado pela gerente-executiva do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Espírito Santo (Sindifer-ES), Rubya Salomão. Segundo ela, além da pesquisa, a iniciativa pode formar nova cadeia produtiva voltada à captura e ao armazenamento de carbono.

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A TotalEnergies recebeu aval da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para investir os recursos num estudo que avaliará reservatórios salinos offshore capazes de armazenar o carbono capturado pelas indústrias. O trabalho será desenvolvido pelo Laboratório de Geologia Sedimentar da Universidade Federal do Rio (Lagesed/UFRJ).

Nesta etapa, o projeto não prevê operação comercial. O objetivo é identificar áreas adequadas para o armazenamento e produzir as informações técnicas necessárias para futuros empreendimentos.

Segundo Rubya, o licenciamento ambiental está em andamento e já houve contratação relacionada ao projeto. Os detalhes da iniciativa e as oportunidades para fornecedores deverão ser apresentados na Mec Show. Ela destaca que o avanço dessa tecnologia não cria demanda só para empresas responsáveis pela captura do carbono.

Também serão necessários serviços de engenharia, transporte, armazenamento, monitoramento e outras atividades que podem formar novos elos da cadeia produtiva.

Rubya ressalta que muitas dessas contratações costumam ocorrer por meio de empresas especializadas, e não diretamente pelas grandes indústrias, ampliando as oportunidades para fornecedores.

O Estado pode ter espaço nesse mercado. Estudo da Empresa de Pesquisa Energética aponta o Norte do Estado entre as regiões brasileiras com potencial para o armazenamento geológico de carbono.

Produzir aço e outros materiais pesados sem emitir grandes quantidades de dióxido de carbono virou um dos principais desafios da indústria mundial. Como nem sempre é possível eliminar essas emissões, empresas passaram a investir em uma alternativa: capturar o gás antes que ele chegue à atmosfera e armazená-lo em formações geológicas profundas.

A tecnologia é conhecida pela sigla CCS, formada pelas iniciais, em inglês, de Captura e Armazenamento de Carbono. O processo consiste em separar o dióxido de carbono gerado na produção industrial, transportá-lo e injetá-lo em reservatórios subterrâneos, onde ele fica isolado por longos períodos.

Esse tipo de solução ganhou importância principalmente depois que a União Europeia endureceu as regras ambientais para produtos importados. O bloco passou a adotar mecanismos que atribuem custo às emissões de carbono incorporadas à fabricação de itens como o aço.

Na prática, quanto maior a emissão na produção, maior tende a ser o impacto sobre a competitividade das empresas que exportam para a Europa. Por isso, siderúrgicas e outros segmentos industriais intensificaram a busca por tecnologias capazes de reduzir sua pegada de carbono sem comprometer a produção. É nesse cenário que cresce o interesse por projetos como o da TotalEnergies.

A transição para uma indústria de baixo carbono exigirá mais do que novos investimentos. Na avaliação da gerente-executiva do Sindifer-ES, Rubya Salomão, as empresas também precisarão desenvolver produtos e soluções voltados às novas demandas da descarbonização. Ela cita como exemplo os umbilicais, conjuntos de cabos e tubos usados em operações offshore.

Segundo Rubya, esses equipamentos já vêm sendo adaptados para levar energia elétrica produzida em terra até plataformas marítimas, reduzindo o consumo de combustíveis fósseis. Para a dirigente, o movimento tende a alcançar diferentes segmentos da indústria metalmecânica e elétrica.

A expectativa é de crescimento da demanda por novos materiais, projetos de engenharia, processos de fabricação e sistemas de controle.

As empresas que conseguirem se adaptar mais rapidamente terão melhores condições de disputar contratos ligados aos novos investimentos em descarbonização.

A TotalEnergies vai estudar se reservatórios salinos no mar podem armazenar, com segurança, o dióxido de carbono capturado pelas indústrias.

Por que isso importa