Deputado próximo a Marco Rubio, Daniel Pérez é encarado como nome que pode facilitar relações comerciais
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Daniel Perez, 39, ou Danny Perez, como é chamado, é um nome conhecido entre a classe política da Flórida, um dos estados mais importantes dos Estados Unidos. Mas não entre a população.
Entre cubanos ou descendentes de cubanos, como ele próprio, Perez não é tido como uma referência. Entre brasileiros, cuja maior comunidade no país está na Flórida, tampouco. Nos próximos meses, esse político de alto calibre local, mas reduzida base popular, pode desembarcar no Brasil como o novo embaixador de Donald Trump.
A indicação do republicano, atual presidente da Câmara de Deputados do estado, surpreendeu a todos no começo de junho passado, de diplomatas a empresários locais. Mas fez brilhar os olhos do vasto grupo do empresariado brasileiro na Flórida.
O motivo é numérico. O Brasil é hoje o maior parceiro comercial da Flórida e corresponde a 6,2% do comércio de mercadorias do estado.
O deputado Perez é visto como uma figura "pró-comércio" devido à sua atuação em dois mandatos na Câmara, e, para esses empresários, que preferem não expor seus nomes, ele representa alguém que entende a importância econômica do Brasil para os EUA num momento de fricção entre os governos Lula e Trump.
A cautela também é bem-vinda. Os mesmos empresários dizem que o potencial de Perez de mudar algo grandioso na relação bilateral é limitado, visão com a qual coincidem membros do próprio Partido Republicano.
E alguns dos empresários brasileiros, literalmente, dizem: dos possíveis males, Danny Perez representa o menor. O político foi sabatinado no Senado americano na quinta (16), etapa crucial da escolha de seu nome.
Danny Perez é muito próximo a uma figura-chave no Estado que atuou pela indicação de seu nome: o ex-governador da Flórida (2011-19) e hoje senador em Washington Rick Scott, 73.
De todos os políticos da Flórida, Scott é avaliado como aquele que mais buscou alguma proximidade com a comunidade brasileira em sua carreira. Durante suas campanhas de 2014 e 2018, fez eventos com os brasileiros, em churrascarias, que reuniam um publico reduzido, mas influente.
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Advogado com atuação principalmente no campo da saúde, Perez pertence à chamada primeira geração —ele é filho de um casal de imigrantes de Cuba que deixou a ilha em 1967. Nasceu em Nova York, mas foi criado em Miami, onde se elegeu deputado. É casado com outra americana descendente de latinos e tem três filhos.
Ele foi eleito com pouco menos de 32 mil votos em 2018 e reeleito em 2020 e em 2024, ano no qual foi nomeado presidente da Câmara da Flórida. Pertence à bancada do condado de Miami-Dade, junto a outros 15 deputados, representando um dos 120 distritos da Flórida.
A indicação de seu nome por Trump foi interpretada pela comunidade cubana na Flórida —extremamente poderosa, como demonstra a própria persona do secretário de Estado, Marco Rubio— como um aceno da importância do grupo para esse governo. O próprio Rubio foi o primeiro cubano-americano a presidir a Câmara da Flórida, cargo hoje ocupado por Perez.
A pressão comercial americana intensificou a dramática crise humanitária na ilha, mas os membros da diáspora que esperavam uma ação militar de Washington ou algo do tipo têm de dobrar a paciência.




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