Além da alimentação saudável, eternamente preconizada para a longevidade, os últimos anos foram marcados pelo aumento exponencial na prescrição e na oferta de produtos alimentícios com propriedades especiais e suplementos voltados para a qualidade de vida dos que têm mais de 60 anos. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

Além da alimentação saudável, eternamente preconizada para a longevidade, os últimos anos foram marcados pelo aumento exponencial na prescrição e na oferta de produtos alimentícios com propriedades especiais e suplementos voltados para a qualidade de vida dos que têm mais de 60 anos.

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A idade também aumenta o consumo de medicamentos e serviços relacionados à saúde, à mobilidade e à casa, justamente quando esses consumidores deixam o mercado de trabalho e passam a depender de uma renda que cresce menos que a dos que se mantêm na ativa.

Com o rápido processo de envelhecimento da população em curso no Brasil, essa fatia de consumidores desperta cada vez mais o interesse das empresas. Mas boa parte dos produtos e serviços oferecidos nesse nicho de mercado tem custo elevado, sobe acima da inflação e é mais difícil de ser substituída, tornando os idosos e suas famílias mais sensíveis aos preços.

Mesmo com orçamento pressionado, o consumidor mais maduro ganha cada vez mais atenção na estratégia das empresas, dos fabricantes de itens de primeira necessidade aos prestadores de serviços.

E não é à toa. As novas demandas desse público abrem novas possibilidades de negócios e ocupam mais espaço nos orçamentos das famílias, que tendem a ter menos crianças e mais idosos com o aprofundamento do envelhecimento da população.

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Em 2024, os brasileiros com 50 anos ou mais movimentaram R$ 1,8 trilhão, o equivalente a 24% de todo o consumo privado do país, segundo o estudo do Data8. A expectativa é que esse valor mais que dobre nas próximas duas décadas, alcançando R$ 3,8 trilhões em 2044, quando deverá responder por 35% do consumo das famílias brasileiras.

A Nestlé, por exemplo, tem ampliado seu portfólio de soluções nutricionais voltadas ao público 50+, acompanhando a transformação demográfica e comportamental. Nos suplementos, além da linha Nutren Senior, lançou recentemente as variações Nutren Senior Premium e Nutren Senior AZ.

A área de Nutrição e Saúde se tornou prioritária para a multinacional suíça, que tem nela 20% de seu faturamento global. No Brasil, as vendas crescem a dois dígitos e por isso a área passa por uma reestruturação interna, explica Mariana Lemos, head de Marketing de Nutrição Médica da Nestlé Brasil:

— As pessoas estão vivendo mais e buscando envelhecer com mais saúde, autonomia e qualidade de vida.

Em higiene e cuidados pessoais, enquanto o mercado de fraldas infantis apresenta estabilidade, a maior oportunidade agora de fabricantes como a CCM é nos produtos geriátricos.

— O mercado de fralda de adulto cresce entre 20% e 25% por ano, por dois fatores. Um é que tem novos consumidores, com um mercado grande ainda não preenchido. E o outro é que o bebê usa a fralda por cerca de 2 anos e meio. O adulto usa produto para incontinência de dez a 12 anos — diz Rodrigo Zerbini, CEO da companhia.

Ele conta que a CCM investiu quase R$ 200 milhões nos últimos dois anos para aumentar sua capacidade industrial e adaptar o maquinário ao segmento adulto. Com isso, foram lançados 25 produtos novos, incluindo uma marca de roupa íntima descartável, com cuecas e calcinhas para incontinência leve, e até absorvente masculino com esse fim.

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Outra empresa de olho nesse nicho é Kimberly-Clark, que tem a marca Plenitud voltada para incontinência urinária e já investiu mais de R$ 200 milhões para ampliar a capacidade produtiva e reforçar ações de marketing.

A longevidade também tem alimentado a cadeia de serviços voltados para o condicionamento físico. A DoctorFit, rede de franquias de estúdios premium de treinamento físico, conta com mais de 60% de clientes com mais de 60 anos.

Deste total, 15% têm mais de 75 anos. A demanda aquecida estimula a rede, que tem mais de 7 mil alunos em 70 unidades no país, a investir na expansão. A previsão é inaugurar 12 unidades no próximo mês, conta a CEO da empresa, Clarissa Rios:

— A gente cuida muito de pessoas já com dores e lesões articulares, diabéticos, hipertensos, cardiopatas. Tem muitas mulheres com osteoporose. E a gente junta a medicina com a educação física. Tudo que elas vão precisar para desenvolver essa parte física.

Outras atividades físicas também ganham adeptos entre os 60+. A Fast Tennis, rede de franquias de quadras de tênis, tem 3% de alunos nessa faixa etária, mas Lucas André, CEO e fundador da Fast Tennis, diz que a tendência é de alta. Alguns franqueados da rede fazem parcerias com grupos específicos de idosos e até casas de repouso.