Durante anos, a rotina de cuidados com os cabelos esteve concentrada no comprimento dos fios. Máscaras, óleos, leave-ins e finalizadores ocupavam espaço nas prateleiras de quem buscava brilho, maciez e controle do frizz. Agora, a atenção começa a se voltar para outra região: a raiz. O couro cabeludo ganhou protagonismo nas rotinas de beleza em um movimento semelhante ao que transformou o skincare facial nos últimos anos, trazendo a ideia de que fios bonitos também dependem de u

Durante anos, a rotina de cuidados com os cabelos esteve concentrada no comprimento dos fios. Máscaras, óleos, leave-ins e finalizadores ocupavam espaço nas prateleiras de quem buscava brilho, maciez e controle do frizz. Agora, a atenção começa a se voltar para outra região: a raiz. O couro cabeludo ganhou protagonismo nas rotinas de beleza em um movimento semelhante ao que transformou o skincare facial nos últimos anos, trazendo a ideia de que fios bonitos também dependem de uma base bem cuidada.

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A chamada "skinificação dos cabelos" traduz essa mudança de comportamento ao tratar o couro cabeludo como uma extensão da pele. A proposta é olhar para além da aparência dos fios e considerar fatores que influenciam sua qualidade, como oleosidade, sensibilidade, descamação e equilíbrio da região.

"O couro cabeludo é, literalmente, pele. Durante muito tempo, o cuidado com os cabelos se resumiu a limpar e hidratar os fios, ignorando que a saúde do fio começa na raiz. Hoje, com a evolução da cosmetologia, passamos a entender que o couro cabeludo precisa do mesmo protocolo de cuidado que dedicamos ao rosto: limpeza profunda, esfoliação, controle de oleosidade, ação calmante, estímulo à renovação celular e proteção contra agressores externos", explica Vanessa Cardozo, gerente educacional da Donatti Cosméticos.

Essa mudança acompanha um consumidor mais interessado em entender as causas por trás das alterações capilares. Queixas como queda, oleosidade excessiva, sensibilidade e dificuldade no crescimento dos fios passaram a ser associadas também às condições da região onde eles nascem.

"Pense no couro cabeludo como o solo onde o cabelo nasce. Se o solo está desequilibrado, com excesso de oleosidade, inflamação, descamação, acúmulo de impurezas ou má circulação, o fio que brota dali nasce fraco, fino, opaco e propenso à queda. Não adianta tratar apenas o fio se a raiz não é cuidada", explica a especialista.

É nesse contexto que a terapia capilar ganhou espaço. A abordagem reúne diferentes estratégias para avaliar as necessidades de cada pessoa e buscar o equilíbrio da região, em vez de atuar apenas sobre a aparência da fibra capilar. A ideia é identificar possíveis fatores relacionados às queixas e criar uma rotina de cuidados mais direcionada.

"A terapia capilar não espera o problema se instalar. Ela mantém o couro cabeludo em equilíbrio contínuo, criando um ambiente onde disfunções como oleosidade excessiva, sensibilidade e queda encontram menos espaço para se desenvolver", afirma Vanessa.

Entre os recursos utilizados estão produtos e procedimentos voltados ao controle da oleosidade, à renovação celular e à melhora das condições da pele do couro cabeludo. A escolha depende das características de cada caso e pode envolver desde cuidados realizados em clínicas e salões até produtos incorporados à rotina doméstica.

Assim como acontece com o skincare, a continuidade dos cuidados em casa tem papel importante na manutenção dos resultados. A escolha dos produtos deve considerar as necessidades individuais, como excesso de oleosidade, ressecamento, sensibilidade ou histórico de procedimentos químicos.

"O tratamento profissional é o momento de intervenção intensa, mas a manutenção diária é o que sustenta os resultados. O shampoo precisa ser escolhido de acordo com a necessidade do couro cabeludo, os tônicos permanecem agindo diretamente na região, a esfoliação periódica favorece a renovação celular e, quando indicado, a suplementação complementa o tratamento de dentro para fora."

A personalização também acompanha uma transformação mais ampla no mercado da beleza: a busca por rotinas menos genéricas e mais alinhadas às características de cada pessoa. Em vez de seguir fórmulas únicas, consumidores passaram a considerar fatores como tipo de couro cabeludo, hábitos, tratamentos químicos anteriores e histórico de alterações nos fios.

"As pessoas já entendem que cabelo bonito não é apenas cabelo tratado por fora, mas cabelo que nasce de um couro cabeludo saudável. A informação está mais acessível, o consumidor busca ciência, ativos comprovados e tratamentos personalizados. Assim como aconteceu com o skincare, a terapia capilar caminha para deixar de ser um tratamento específico e se tornar parte da rotina de autocuidado", conclui Vanessa.